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Não é melhor continuarmos imperfeitos?

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 A Nota Amarela e as impressões de leitora Antes que comecem a ler, já aviso que isso não é uma resenha sobre o excelente livro A Nota Amarela do Gustavo Czekster. São impressões de leitora. Em primeiro lugar devo dizer que sou super fã do Gustavo. Pessoa e escritor. Seus dois primeiros livros de contos me encheram a alma de leitora com deleites. Quando soube de seu primeiro romance, lá estava eu na fila de compras virtuais.  A Nota Amarela. Um desafio para quem cria. Talvez um desafio para todo ser humano. Aquilo que " se oculta na sequência das coisas e dentro de sim mesmo para assim trazer alento - e salvação a esse nosso mundo tão áspero ". Assim comecei a leitura, pela dedicatória, que sempre me toca. O livro impresso tem dessas magias de contato, de pegar, de sentir. Quase um ritual sensual de se apoderar das ideias e palavras que os autores lançam em suas obras e que, nós seus leitores, nos apossamos com volúpia. Ou desdém. Ou estranheza. Ou deslumbramento. Ou tudo iss...

O sábado de manhã e claros breus

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"Ao fim de cada ato, limpo num pano de prato"....ouvindo Bethânia em Claros Breus, tentando resgatar o velho hábito de usar as manhãs de sábado como ponto de reabastecimento de energias. Se o sol me convida a sair, renego. Se o frio me chama ao aconchego, aceito. Aconchego é tudo o que meu eu necessita nesses dias de incertezas e breus que se mostram cada dia mais assustadores. Tento afastar as angústias e me embalo na leveza da vida que está ao alcance do meu chamado interno. Sim, sempre tive essa facilidade de me afastar das realidades que me causam desconforto. Escapismo ou qualidade, já não importam depois de várias décadas de sobrevivência. Ainda vivo. Talvez seja meu jeito de sobreviver. Minha resistência interna me afasta dos perigos. Alguns. Mas me expõem a outros. No balanço das emoções e das experiências, não fiz a contabilidade. Ando afastada dos números. Bethânia continua a me embalar. A propaganda do spotify grátis me traz de volta ao mundo consumista...

Na música me perco e me revelo

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Também fico sentimental essa época de fim de ano. (Na verdade sou sempre sentimental, agora fico mais piegas, se é que isso é possível).  Ontem mesmo chorei litros em um filme na TV. A Luz entre Oceanos. Um baita de um drama, mas o que me pegou? As sutilezas. Tudo o que não era dito explicitamente mas gritava no seu silêncio. Nasci para as sutilezas. Para o imponderável. Para o que não se revela sem um desvelo. E na mesma noite falando de músicas que marcaram a vida me dou conta que as relações são feitas de detalhes que as vezes/tantas passam desapercebidos. Assim como nos revelamos nas escolhas das pessoas que admiramos, no como tratamos quem não nos pode dar algo ou nas pequenas gentilezas do dia a dia, as letras das músicas que nos marcam falam mais de nossos sentimentos que muitas e exaustivas conversas sobre a relação . Na música me perco e me revelo. E te conheço. E me deixo conhecer. Não é a toa que existia um programa que fazia sucesso chamado as músicas que...

Amor se ama cantando

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Era tempo de construção.  Difícil entender que o parir qualquer coisa demanda tempo. E aquele lento rolar de minutos, horas e dias que antecedem a concretização era algo que a sua alma não entendia. E se entendia, não aceitava. Mas não havia nem de onde nem por que, tinha que sentar e esperar. Até lá cantarolava. A melodia que viesse à cabeça. Às vezes acordava com uma e ela ia e vinha, meio que perene, na sua mente. Só no chuveiro se arriscava a deixar sair algum som. Desafinado.  Era tempo de construção. Desses de colocar adubo em cada gesto. Colocar ternura em cada palavra e trazer o olhar mais sincero para expor ao Outro sua delicadeza de alma e sentimentos.  Em tudo se revelava. E nesse desvelo colocava seu melhor Eu para fora. Sua atenção mais especial, suas qualidades mais bonitas. Era em tudo uma maravilha de pessoa que se deixava descortinar. E ele também devia fazer o mesmo porque homem mais fantástico nunca tinha conhecido. Adivinhava seus des...

Diz que fui por aí

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Peguei minha viola, minha mala emprestada, minhas roupas puídas, minha alma dolorida e fui por aí.  Nem tão perto como achava que devia. Nem tão longe como poderia.   Na bagagem alguns livros. Um baita cansaço. Uma mente confusa. Uma vontade de reencontro.  As viagens que a gente faz por precisão nem precisam de quilometragem. Podem ser feitas a pé. Pode ser uma volta no quarteirão. Pode ser uma "mochilagem" ao redor do mundo. A jornada verdadeira acontece dentro da gente. Um caos por fora. Um não sei mais o que virá. Uma ponta de desesperança, fruto da maturidade ou do começo inexorável da velhice. Não a de fora, a das juntas doloridas e da pele encrespada pelas rugas e plissados que a vida traz. Aquela velhice pior. A que se aloja na alma e faz as vezes de freio nas ilusões da vida. Deve ser cansaço. Onde já se viu uma ariana velha? Uma geminiana de lua querendo pendurar as chuteiras de um sonhar de utopias....Não, definitivamente, não. É pura estafa. Um me...