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O nunca mais

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  Lembro da menina perplexa ao descobrir que as pessoas não duravam para sempre. Como assim, nunca mais pai e mãe? Era um pensamento tão absurdo e devastador que, por muitos anos, o sonho de viver em uma cidade deserta, onde as pessoas tinham evaporado, a acompanhou. Por estes privilégios da vida, o nunca mais a poupou por dezenas de anos. Perdeu a vó querida, é verdade, quando ainda era adolescente. Mas foi uma morte distante, poupada que foi da imagem fria do caixão que traz a realidade da despedida de forma mais bruta. Para ela ficaram a imagem, os cheiros, o colo da vó. Ainda hoje é isso que lembra quando se recorda dela. Perdeu tios que se foram mais cedo. Mas lembra que o primeiro impacto brutal foi quando a tia querida, irmã mais velha de sua mãe, se foi aos quase 90 anos. Vê-la em um caixão lhe trouxe uma tristeza tão profunda que lembra até hoje da roupa que usava. Um pensamento fugidio lhe veio à cabeça, ao lembrar que sua própria mãe tinha uma blusa igual. Pensou furtiva...

Despedidas

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  Despedidas. Não sou boa para elas. Me doí dizer adeus, fechar as portas, sair para nunca mais me doí mais ser a da porta que se fecha a que fica a que assiste o mundo capotar da janela Mil vezes a rotina dos dias imprevisíveis que a maldita imprevisibilidade do inevitável Bebo a água da sabedoria da caneca que grita gratidão Me absorvo da luz do amanhecer Me repleno das possibilidades da segunda me irrito com o teclado que teima em completar o que não quero, não pedi/não penso não gosto que me empurrem a solução pronta que algum algoritmo delegou como sendo mais apropriado não quero as apropriações do normal não quero os ditames pré estabelecidos o comportamento do bando meu bando uiva nos sabemos por instintos nos reconhecemos por cheiros/salivas/gemidos gritos de angústias/revoltas/prazer o mundo revolta a água me espera eu calma/serena/inquieta gratidão pela vida sorrio entre irônica e crédula em dias de sol cabem uivos?

Game over

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Tem um tempo em que tudo se aclara mesmo as trevas Sabe aquele momento que você tem evitado faz anos achando que dá para administrar. Mas só que não. De repente ele fica cristalino, feito relâmpago cortando os céus na escuridão? Não dá para não ver? Pois é, tempo de game over. Ou se dá , ou se desce. Desci. Quantas vezes passamos por isso na vida.  Momentos em que o amor próprio fala mais alto. Em que não dá mais para segurar. Em que não vale a pena a relação custo-benefício. Chegou. Basta. Fim. Game over. Fim de jogo. C'est fini. Lindo em francês. Este idioma que sempre tem a capacidade de tornar tudo mais suave. Mesmo as guilhotinas da vida.  Não sei vocês, mas eu tenho um problema em relação a terminar coisas. Abrir mão. Mesmo que não mais significativas. Talvez meu sentimento de ser responsável por tudo. Por todos. Menos por mim. Os tempos de madureza são cruéis. Carecem de sutilezas. Às vezes necessitam de dur...