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Carta entre tempos

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carta de uma velha senhora para a  criança que um dia foi "Minha criança, minha última palavra Antes do mergulho no escuro Quero te dizer o que sei da vida O que vi, senti, pensei, sonhei" Peguei a caneta, me armei de inspiração, me olhei no espelho mal reconhecendo entre as rugas do meu rosto, a imagem daquela menina cheia de ideais que um dia fui. Talvez já não me reste muito tempo de vida, talvez nunca leias ou tenhas pressentido que um dia eu quisesse te responder. Sim, porque tu me indagavas. Desde pequena foste curiosa e continuaste sendo pela vida. Sinto em mim a necessidade de dizer a ti o que aprendi na minha caminhada. A vida é um mistério sem solução Um rio que corre sem parar Não há uma verdade, há muitas visões Não há um destino, há muitas opções Dentre as coisas que aprendi, a de que a vida é um mistério talvez seja a mais importante. A vida é movimento intenso. É ciclo de sensações, vontades, lutas entre o quero e o devo, é momentos de corrida. E muitos de desc...

Quem cuida do cuidador?

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Acordei com uma saudade doída do meu pai. Daquelas saudades que cravam na carne, fazem a gente chorar, mesmo sem lágrimas. Algumas vezes com.  Me dei conta que foram muitas recordações nos dias pós Dia da Criança. E das coisas que sinto mais falta da infância é de ser cuidada. Não só eu, imagino. Acho que todos nós sentimos uma pontinha de carência dos tempos em que alguém cuidava de nós. Nossa alimentação, nossas feridas, nosso choro tinha colo. Mesmo quando não tinha e a gente guardava fundo no peito, já antecipando a adulteza que viria, ainda assim não nos era cobrado maturidade. A medida que crescemos, viramos cuidadores. De alguém, de coisas, de nós em última instância. Nossos pais viram filhos. Nossos filhos, sobrinhos, netos, toda essa nova geração que vem vindo exigem atenção. O mundo lá fora exige atenção. A vida urge atenção. E nós? Vez por outra dá uma saudade doída do tempo em que a gente era atendido. Acho que por isso lembrei meu pai. Ele cuidava. Estava sempre pronto...

O essencial para crianças e idosos

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À medida que os anos passam a maturidade cobra seu preço. Maturidade significa ser responsável pelas suas escolhas. Mas mais um pouco. Não sei se acontece para todos, mas mulher tem uma alma meio de mãe. Mesmo nunca tendo parido como eu. Hoje li e vi duas coisas que me fizeram pensar. Primeiro uma manchete na internet sobre os idosos e a sua incapacidade de mentir. Tá, não era bem assim, era tipo: "idosos não mentem". O que não é o mesmo, mas é quase igual como diria o Chico. O de Holanda para quem não referenciou.  Sei lá as mudanças são tão rápidas que mesmo o Chico que era unanimidade acaba sendo esquecido.  Voltando, idosos perdem a capacidade de mentir. Sabe que faz sentido. E me veio a mente que crianças e idosos se parecem tanto. Tanto um quanto o outro enxergam o essencial da vida. Adultos mais maduros vestem capa de responsabilidade, deixam que o essencial lhes escape da ponta dos dedos. Dizem nãos quando morrem de vontade de dizer sim. Dizem sins que seriam...