“Cerração baixa, sol que racha”
“Cerração baixa, sol que racha” costumava escutar desde pequena quando acordava em um local cheio de brumas. Comparações com a capital britânica e seu fog, ou ainda com a ilha dos druidas e fadas, Avalon, eram frequentes em sua cabeça. Era na verdade fascinante que tudo estivesse encoberto. A cidade desparecida. As possibilidades de se imaginar em outro lugar aumentavam. Ela sempre viajante. O sol rachante logo aparecia. Nem sempre. Tinha dias que ele se confundia e acabava envolto nas nuvens até que o dia já estivesse na metade. Dias mágicos. Lembrava de alguns. Mais que um acontecimento de clima característico da região, a cerração nevoenta era um sinal de que nem sempre a vida é cristalina. Há tempos de encobertas. Há tempos de procuras. Há tempos de possibilidades além do que se vê. Mas... Também há tempo de realidades encobertas. O perigo, ou a delícia, da liberdade de criar são as inúmeras possibilidades da mente. Voar. Maritacas fazem isso. Hoje mesmo um trisal de pássaros...