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Receita de mulher a três mãos

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  M ULHER Solteira, chorei. Casada, já nem lágrima tive. Viúva, perdi olhos para tristezas. O destino da mulher é esquecer-se de ser. Mia Couto Solteira, sonhei Casada já nem sei Delirei Viúva, lembrei e Fui em frente O destino da mulher é ser ela mesma Uma mulher tem que ter Qualquer coisa além de beleza Qualquer coisa de triste Qualquer coisa que chora Qualquer coisa que sente saudade Um molejo de amor machucado Uma beleza que vem da tristeza De se saber mulher Feita apenas para amar Para sofrer pelo seu amor E pra ser só perdão Vinicius de Moraes Da mulher e suas agruras, tanto receitam nossas dores tanto moldam nossos amores achando que descobrem nossos segredos Mal sabem, incautos, que mulher tem qualquer coisa muito além dos entendimentos qualquer coisa muito além das luzes qualquer coisa que vai além Porque nasceu para gerar gerar vida, gerar amor, gerar ir A vida da mulher para tristeza e choro de muitos não passa pelo esquecimento de si...

Florbela Espanca e a reflexão sobre as versões

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Não me recordo quando Florbela Espanca entrou em minha vida. Tenho fases de ler poesia. São aquelas em que a minha sensibilidade anda mais a flor da pele, ou nas em que a prosa já não consegue me responder ou abrir os questionamentos necessários.  Um almoço literário me trouxe de volta a vida e a obra de Florbela. Passei os últimos dois dias imersa em pesquisas, vendo séries, documentários, lendo seus contos e poesias. Tentando entender um pouco mais dessa mulher tão diferente das demais do início do século XX em Portugal. Me surpreendendo com a sua precocidade ao escrever tão bem ainda garotinha. Com a sua procura por substâncias que a vida comum talvez nunca tenha conseguido lhe dar. Uma alma atormentada. Isso me passa sempre ao ler brevemente sua biografia. Da menina criada por duas mães. Uma biológica, que teve filhos com um homem casado, ainda hoje um tabu. Outra, madrinha, a esposa do pai, que foi talvez impulsionadora de voragens literárias. Da jovem que escrev...