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Angústias da CTI que já vivi

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O barulho dos aparelhos que mantém um ser amado à vida em uma UTI são inolvidáveis. Assim como a sirene da ambulância que cruza a cidade em uma corrida de vida e morte. Já passei por isso. A angústia de noites esperando e temendo uma ligação. Esperar boletins médicos com a sofreguidão das decisões. Ver aquela pessoa tão querida, imóvel em uma cama, toda amarrada por fios e aparelhos, com tubos que respiram por ele.  Aprender a conhecer cada bip, cada remédio, cada sinal dos batimentos.  Aguardar nas salas de espera, uma pós graduação de vida de verdade. Compartilhar com gente que não se conhece a mesma esperança sofrida que se renova ou esgota a cada visita. Fazer fila na porta, aguardar o sinal verde e percorrer passo a passo em direção ao leito, sem saber o que esperar. Aprender a viver cada dia. Cada movimento de olho, suspiro, respiro. Cada olhar e fisionomia das equipes médicas.  Segurar na mão da pessoa sedada. Falar com ela, sem saber se nos escuta...

Tic Tac que não para

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porra de vida, pensou baixo seu tempo se esgotando a vida se ajeitando a família já vivendo a expectativa do não ter não mais eu a vida é uma grande merda, na verdade tenho vida meu sangue ainda corre nas veias cheias da quimio meu cérebro ainda pensa no meio do tumor que o corrói o tic tac maligno canceroso implacável vai me tornando algo tão diferente do que sou minha alma ainda a mesma tento dizer aos que amo vejo nos seus olhares medo pena o choque da imprevisibilidade Todos temos data de validade porque a minha tão cedo? tantos sonhos tanto amor tanta esperança tudo adiado para sempre porra mil vezes porra melhor cerrar os olhos não pensar voltar Para onde afinal? Descartável o que sou um corpo que não reconhecem uma agilidade que falta um outra eu a mesma eu maldito relógio!