Angústias da CTI que já vivi
O barulho dos aparelhos que mantém um ser amado à vida em uma UTI são inolvidáveis. Assim como a sirene da ambulância que cruza a cidade em uma corrida de vida e morte. Já passei por isso. A angústia de noites esperando e temendo uma ligação. Esperar boletins médicos com a sofreguidão das decisões. Ver aquela pessoa tão querida, imóvel em uma cama, toda amarrada por fios e aparelhos, com tubos que respiram por ele. Aprender a conhecer cada bip, cada remédio, cada sinal dos batimentos. Aguardar nas salas de espera, uma pós graduação de vida de verdade. Compartilhar com gente que não se conhece a mesma esperança sofrida que se renova ou esgota a cada visita. Fazer fila na porta, aguardar o sinal verde e percorrer passo a passo em direção ao leito, sem saber o que esperar. Aprender a viver cada dia. Cada movimento de olho, suspiro, respiro. Cada olhar e fisionomia das equipes médicas. Segurar na mão da pessoa sedada. Falar com ela, sem saber se nos escuta...