Em outros carnavais quando a vida era mais solta
Diálogo entre Antônia e sua cuidadora, em um quarto de uma clínica de repouso. Antônia tem 95 anos e sua cuidadora, Dora, vinte. - Seus remédio, Antônia. A pílula rosa é para a pressão, a branca para o colesterol, a amarela para a ansiedade, a rosa para afinar o sangue, a comprida para a memória. - Memória? Brincas comigo. Fora! Memória é bom para gente jovem como tu, que tem futuro pela frente, que precisa lembrar de quase tudo o que fez. Para repetir ou se arrepender. Quando se está velha como eu, melhor nem lembrar que dia é hoje e quanto tempo falta para morrer. -Deixa de bobagem! Falando nisso, sabes que dia é hoje? 20 de fevereiro de 2050. Domingo. Na tua época era carnaval, Antônia! Vai dizer que tu não gostava de comemorar a folia? Ouvi dizer que eram grandes festas populares no século passado. Minha mãe disse que se lembra ainda de bailes infantis onde ia fantasiada de uma coisa chamada de mulher maravilha. Devia ser algum avatar da época. Ela falou daque...