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Em outros carnavais quando a vida era mais solta

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Diálogo entre Antônia e sua cuidadora, em um quarto de uma clínica de repouso. Antônia tem 95 anos e sua cuidadora, Dora, vinte. - Seus remédio, Antônia. A pílula rosa é para a pressão, a branca para o colesterol, a amarela para a ansiedade, a rosa para afinar o sangue, a comprida para a memória. - Memória? Brincas comigo. Fora! Memória é bom para gente jovem como tu, que tem futuro pela frente, que precisa lembrar de quase tudo o que fez. Para repetir ou se arrepender. Quando se está velha como eu,  melhor nem lembrar que dia é hoje e quanto tempo falta para morrer.  -Deixa de bobagem! Falando nisso, sabes que dia é hoje? 20 de fevereiro de 2050. Domingo. Na tua época era carnaval, Antônia! Vai dizer que tu não gostava de comemorar a folia? Ouvi dizer que eram grandes festas populares no século passado. Minha mãe disse que se lembra ainda de bailes infantis onde ia fantasiada de uma coisa chamada de mulher maravilha. Devia ser algum avatar da época. Ela falou daque...

O carnaval que quase acabou com o meu nascimento

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O som metálico da aliança jogada longe soou como um trovão no piso da Praça Saldanha Marinho. Era fevereiro de 1944 e o carnaval ia começar naquela sexta feira, dia 18. Helena tinha esperado com ansiedade a vinda do seu noivo, Paulo.  Haviam se conhecido cinco anos antes. Um cruzar de olhares e parecia que tudo tinha feito sentido. Mesmo os longos momentos de separação.  Ele continuou a morar na sua Cachoeira do Sul, fez concurso para o Banco do Brasil. Ela tinha ido para Passo do Sobrado, Porto Alegre, navegado para a capital que ainda era no Rio de Janeiro. Sobreviveram à cartas censuradas, tanto para a família como para o governo que havia, enfim, aderido aos aliados na luta contra o eixo. Eram os tempos conflituosos da Segunda Grande Guerra. Na Europa, a luta corria sangrenta. Poucos sabiam das perseguições às minorias daquele governo alemão que usava a eugenia como política de promoção da melhoria da raça germânica. Aqui no Brasil os descendentes daqueles ale...

Para que serve o carnaval?

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era dia de folia,ela sabia. Todos saindo e rindo Fugindo de alguma realidade, mais doída,  menos feliz,  quiçá apenas brincando que brincadeira  é jeito da gente grande dizer que não cresceu de vez.  que ainda mantém um jogo de cintura  para dar uma banana para a Vida. e suas agruras. Pierrot Não se perca de mim  Não se esqueça de mim  Não desapareça  Que a chuva tá caindo  E quando a chuva começa  Eu acabo perdendo a cabeça  Não saia do meu lado  Segure o meu pierrot molhado  E vamos embolar ladeira abaixo  Acho que a chuva ajuda a gente a se ver  Venha veja deixa beija seja  O que Deus quiser  A gente se embala se embora se embola  Só pára na porta da igreja  A gente se olha se beija se molha  De chuva suor e cerveja ( Caetano Veloso ) Em algum lugar de sua memória repousavam marchinhas. Talvez do tempo em que costumava sambar sozinha se não dava para brincar na rua. ...