Caetaneando em um fim de ano
ouvindo Caetano e pensando que nem sempre gostei do Caetano. No começo era aquele guri franzino de boca grande e cabelos cacheados, terno e uma aparente timidez, que já devia ser uma coisa odara. Eram os festivais da Record. Tinha tanta gente, tinha um Chico novinho louvando a banda. Tinha Rita Lee e os Mutantes, de coadjuvantes do Gil. Tinha violão quebrado e para não dizer que não falei de flores. Eram tempos sombrios. E aquele baiano entrava e cantava Alegria, Alegria . Sem lenço, sem documento Nada no bolso ou nas mãos Eu quero seguir vivendo, amor Eu vou Por que não, por que não? Por que não, por que não? Por que não, por que não? Vamos ainda, Caetano. A gente quer seguir vivendo. Um pouco daquele menino reside no senhor que ouço na live em um ano de pandemia. Os cabelos brancos lhe deram um charme, a poesia da voz se refinou. Ouço entre um cálice de vinho e saudades de um tempo que ainda vai vir, pensando se o tempo foi tão generoso comigo. Continuo curtindo Caetano de...