De uma mulher qualquer
Iluminada. Acordou cheia de luz. Dessa luz que não importa o cinza nublado de fora, ela inunda a alma e se esparrama feito maria mole pela vida. Nem bem sabia o porquê. Nem tinha motivo. Ela que fora parida por Maria/Joana/Clarice/Rosemari. Gerada em uma noite de lua cheia e ardente em que fora seduzida pelo Mario/Miguel/João/Claudenir que a envolveu em seus braços, arrotando palavras de sedução tão novas e delirantes. Mentira. Foi uma foda dessas de fim de noite, entre duas pessoas que nem mais se olhavam de tão conhecidas, dessa convivência que vira fardo, vira vida tão normal que cansa. Cansa até os poros. Nem sabe como tiveram energia para que um ovulo se abrisse a um espermatozóde. Deve ter sido descuido. Só pode. Oito meses depois nasceu aquela guria mirrada. Feinha que dava dó. O Mario/Miguel/João/Claudenir já tinha morrido em um acidente de trabalho. Depois de uma jornada de oito horas, foi fazer bico de segurança. Bala perdida numa briga qualquer de bar. Um número nas...