sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Palavras ao vento

"De amar muito deixas amor em teu redor, e quem passa por perto crê que tens a rosa por dentro..." tradução livre do poema que Omara Portuondo sussurra em meus ouvidos enquanto tento me concentrar para trabalhar nessa sexta feira 13 de um chuvoso outono nesta mui leal e valorosa cidade que um dia foi um Porto Alegre.

Um teste fajuto desses de redes sociais feitos com certeza para saber mais dos meus hábitos que para mim nada rendem, mas para que, unidos aos de muitos, se tornam uma das mais valiosas moedas de valor dos dias de hoje, a tal da Economia da Atenção...o tal teste me disse (na lata devo admitir) que não sou das mais tapadas, mas a procrastinação me impede de voar mais alto.

Sim. E com certeza. Procrastino com consciência. Preciso desse hiato para me religar no processo criativo. Absolutamente não sou das pessoas que agem. Sou das que pensam. E o pensamento está cada dia mais obsoleto....o que me leva a admitir que sim, sou um ser em extinção.

Absorvida em mil atividades nada financeiramente produtivas. Vá lá, deve haver alguma sabedoria oculta no universo. Espero.

Palavras ao vento. Cada dia me sinto mais em universos paralelos que se tocam infinitamente. É como se mergulhasse passado/presente/futuro em um turbilhão louco que gera o caos. E o caos há de ser sempre o prelúdio dos Re nascimentos.

Palavras ao vento para que delas se façam eco em algum recôndito ser, talvez exista um mundo onde as palavras recebam afeto e atenção. Talvez nesse Universo em particular, seja rentável se dedicar a pensar. Talvez nem saibam o significado da palavra dinheiro e das pessoas se espere apenas que façam algum significado. Para algo. Para alguém.

Enquanto sonho, o mundo real gira. Seus problemas urgem. Os boletos chegam. Os projetos me esperam. Mais que sonhos e ideias, precisam de significados e detalhamentos reais. 

Palavras ao vento. Recolho uma a uma. Uno em uma colcha de retalhos que formam mosaicos de uma vida que espera apenas fazer sentido. Um dia. Quiçá.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário