segunda-feira, 12 de junho de 2017

Fale seu amor para que ele perdure


Estava arrumando umas coisas e achei uma folha escrita à caneta tinteiro. As linhas já meio apagadas numa folha daquelas bem finas que a gente usava para escrever cartas. A data? 12 de junho de 1967. 

Quem não é desse tempo não entende. A gente não tinha whatsapp, nem email, nem celular. A gente escrevia a mão. E como o correio demorava, entre uma e outra correspondência, a gente escrevia muito. Longas cartas. As minhas tinham desenhos, recortes, cores, tudo o que pudesse mostrar para a outra pessoa o que a gente estava sentindo.

Era tipo olhar o universo. A gente mira uma estrela, mas aquela luz pode nem existir mais nas enormes distâncias que atravessa para chegar até nós. 

Assim eram as correspondências. 

E por isso as folhas finas. Imaginem cinco, sete, dez folhas em um envelope! Sim!!! Eram textões! E como eram aguardados! A gente não se contentava com telegramas. Estes eram para as notícias urgentes, e normalmente elas não eram boas...."se fosse ruim a gente já sabia" era uma frase comum. As más notícias vem à galope! As boas vinham pelo correio.

Mas tinham os whatsapps da vida. Aqueles recados que a gente não dava ao vivo. Guardava para serem entregues por escrito. Uma dessas achei nos meus guardados.

Em tempo: sou acumuladora. Nasci de um pai acumulador. Curto o passado e as histórias. Acho que alicerçam o futuro. 

Dito isso, volto ao tema principal. Em pleno junho de 2017 encontro em uma folha fina de papel, escrita com caneta tinteiro quase gasta, uma declaração de amor de meu pai para minha mãe. Um poema que veio, segundo as suas palavras, junto com um buquê de rosas. E como sempre assinava "teu eternamente enamorado/apaixonado" Paulo.

Fiz uma cópia digital e passei para um papel mais durável para que minha mãe sinta, aos seus 91 anos, o amor de seu namorado que se foi há três anos, mas que deixou mais que recordações que a sua memória vai aos poucos misturando. Deixou palavras escritas que se juntam às que disse e aos carinhos que praticava diariamente. 
Por isso quando vejo, hoje, tanta gente em busca de um amor bonito, desses que durem até a gente ficar bem velhinho e façam a lembrança resgatar momentos que justifiquem uma vida, eu lembro: adubem. Falem. Gritem seu amor de forma bonita. Ele não perdura se não for regado de forma sistemática. Além do respeito e da cumplicidade, lembrem do romance e do encantamento.

Façam com que o amor seja como uma estrela que continua brilhando mesmo depois de perecer. E que encanta a alma de quem a vê nas noites mágicas em que os cabelos brancos se perdem no coração eternamente jovem. 

2 comentários:

  1. interesante es como remover en el pasado y un hermoso diria poema de amor

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    1. ❤❤❤❤ obrigada pelo comentário, Nancy! Abraços

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