quinta-feira, 20 de abril de 2017

9 verdades e uma mentira

Brincadeiras revelam as pessoas. Devo admitir que essa que corre nos dias de hoje naquela rede social que pretende definir o que é verdadeiro no mundo, me fez conhecer mais a fundo muitas das pessoas com quem convivo. Virtualmente e na realidade.

Eu já tinha me feito esse desafio ao revelar aqui no blog, bem antes disso, ao revelar 20 coisas interessantes que já experimentei na vida e nos 60 fatos da minha vida que você nem desconfiava (I, II, III e IV) 

Interessante analisar como quase todos nós temos a tendência de rotular alguém (e mesmo a nós) com uma imagem. Para muitos sou a mulher elegante e bem educada e há quem não me julgue capaz de fazer nada que saia da linha de comportamento aceito socialmente. Também faço isso com outras pessoas. Talvez por isso olhar uma lista, feita muitas vezes de brincadeira, mas que revela facetas não conhecidas por nós, nos revele uma pessoa mais complexa que tínhamos delineado.

Nossas verdades, ou versões do que nos aconteceu, fazem parte do que somos, construção de uma História ainda incompleta. Somos a criança birrenta que não comia arroz que se transformou na mulher que ama risoto. Só para dar um exemplo prosaico das transformações por que passamos.

E se as nossas verdades sofrem essas mudanças, que dizer da mentira? 

Primeiro que somos ensinados que mentir é feio. Mas mamãe e papai mentem. E quando somos capazes de discernir, eles nos explicam que há verdades que machucam e mentiras sociais que ajudam. Complexo para a cabeça de crianças que adoram dizer que a Vó querida é feia e velha porque tem rugas e braços flácidos. E nos seu jeito de expressar amor, nem percebe se a Vó ficou triste...Do verniz social passamos às mentiras que nos socorrem (fiquei doente, professora, e não consegui fazer o tema de casa) às mentiras convenientes que se encaixam em nossas versões. E que de tão repetidas, se tornam parte de nossas verdades. E quando menos esperamos nosso olhar se cristaliza e a NOSSA versão passa a se encontrar com a versão de outras pessoas. As vezes coincidem e olha a tribo formada. As vezes são tão divergentes e se não cuidarmos, surge a rivalidade, a intolerância, a guerra. 
Não ser descoberto numa mentira é o mesmo que dizer a verdade. Aristóteles Onassis
 Podemos nós dizer em sã consciência, depois de algumas décadas de vida, o que de nossas versões relatadas correspondem aos fatos? Quando rompemos com aquele ex amor, nossas razões parecem as mais relevantes. E as dele? Seriam menos verdadeiras? Quando fomos despedidos, deletados, relegados por algo ou alguém, o que de verdade existe na versão alheia? 

A capacidade de se colocar na visão do outro, a tal da empatia parece coisa de museu. Tanta que já há tentativa de resgata-la porque foi esquecida na vida cotidiana. 

Por isso gostei da brincadeira. Por instantes me coloquei na versão alheia. Enxergando amigos e amigas como eles se enxergam quando colocam verdades sobre eles que não imaginamos. 

E a pegadinha da mentira é para que vejamos o quanto é difícil discernir o fato e a imaginação...

E para quem ficou curioso com as verdades e uma mentira que postei na rede:

1 mentira e 8 verdades...Será que você descobre?

1- Eu era muito chata para comer. Arroz então, se escapava um para dentro da boca, eu parava tudo e jogava longe. Com três anos.
2- Uma das mais deliciosas sensações da minha vida foi subir a serra na garupa de uma moto.
3- Uma das minhas maiores vergonhas de criança foi ter feito xixi quando dormia na cama de meus tios.
4- Nunca usei ou provei drogas. Exceção para um cigarro normal.
5- Minha matéria favorita no colégio era desenho.
6- Joguei futebol no colégio em Brasília.
7- Meu primeiro beijo foi depois dos 20 anos
8- Já dormi em uma casa de pescador em um carnaval
9- Desfilei em um bloco de rua em outro carnaval

domingo, 2 de abril de 2017

60 fatos de minha vida que você nem imagina (IV)

“o que ela quer agora é entrar no rio, talvez morrer, nem sabe, mas entrar no rio, isto é o que importa, de costas para aquela máquina de enlouquecer que chamam de mistério” João Gilberto Noll. “Harmada.”


Quando a perspectiva de vida saí da balança e se vê que os anos que restam são menores que os anos que se foram, bate uma melancolia leve. Uma coisa de "puxa, se eu soubesse tinha aproveitado mais"...embora a cabeça lhe aponte que coisa nenhuma, teria feito do mesmo, que a Vida se encontra para ser vivida, do jeito que der, do jeito que se quer no momento em que se vive. E essa utopia de voltar, mas mais sábia, é coisa que não existe. Se existisse a gente usava toda essa sapiência para não errar de novo. E balela, vamos continuar fazendo das nossas, que o que realmente se assenta em nós são as manias. Essas velhas conhecidas que confortam nosso cotidiano. Nossa linha de conforto. Nosso sapato velho com seus calos mais que conhecidos.

Vamos ao final dos fatos. Não esperem picantes revelações. Sempre fui discreta e não seria ao ficar idosa que me tornaria saliente. E tem mistérios que ficam lindos a dois. E assim já revelei nas entrelinhas que não curto mais que quatro olhos (os meus e os dele) nos meus momentos mais intensos.     

46 - Embora a noite me fascine, sou das manhãs. Acordo cedo, mesmo aos domingos e feriados. Sempre fui assim. Normalmente acordava de madrugada para estudar. No dia da prova.
47 - Tenho intuições. Tinha sobre o que ia cair numa prova, sobre pessoas. Mas nunca tive sobre loterias e mega senas...
48 - Mas mesmo assim sigo fazendo um jogo mínimo semanal. Para mim ainda é a forma mais barata de sonhar. 
49 - Minhas leituras prediletas sempre foram História e Psicologia. A primeira batendo a segunda em algumas quadras de distância. Era daquelas de ver filmes históricos e devorar toda a literatura existente para saber o que era verdade e o que era mentira. Ou ficção. Ou pós verdade.
50- Nunca usei drogas. Mesmo as que me foram oferecidas. Sempre brinquei que meu problema não é sair da realidade. Isso eu faço desde sempre. Preciso de algo que me faça pisar no chão. Só fumei um cigarro lícito para provar e achei uma droga. 
51- Era daquelas que dizia não se não queria dançar. E retrucava um convite para uma cerveja com um prosaico: não tomo cerveja, me leva para tomar vinho.
52- Quase não me formei com a minha turma porque não tinha feito Educação Física que era obrigatória. Eu trabalhava e não dava tempo. Mas como era estágio não era considerado trabalho. Minha turma foi fantástica e queriam fazer um movimento para que ninguém se formasse se eu não estivesse lá. Corri, tive ajuda e consegui me formar com eles. Gratidão eterna. Nunca disse isso a eles.
53- Choro em comercial de margarina. Mas enfrento uma situação limite com calma e tomando decisões.
54- Detesto esportes radicais e nunca me verão nem em uma roda gigante. 
55- Morro de medo de água e de tudo onde não estiver com o pé no chão. Não faço nem brincadeira de João Bobo porque não me entrego à confiança de que vão me segurar.
56- Sou desconfiada. Muito.
57- Sou uma excelente pesquisadora. Seria uma detetive de primeira. Precisando que eu encontre algo na internet, me procure. E não sou hacker.
58- Nunca fiz cursos de informática e fui aprendendo na prática. Tanto que o primeiro PC Windows eu tive que apagar porque estourei a memória de tanta janela aberta. E não tinha a mínima ideia de como fechar...
59- Gosto de abrir coisas para ver como funcionam. De rádios a motor de carros. 
60- Sou tímida. E morro de medo que não gostem de mim.

Não sei se foram fatos, se foram confidências. Sei que num instante eu estava brincando de princesa, em outro momento estava passando num vestibular apertado, em outro tocando uma obra e agora "aquela que me olha do espelho, tão mais velha que eu (obrigada Quintana) assiste atônita uma outra eu que brinca de fazer de conta que seis décadas não são nada demais.

E quem quiser que conte outra que essa história segue em frente.

Querem ver o começo? Vejam AQUI