terça-feira, 28 de março de 2017

60 fatos de minha vida que você nem imagina (III)

" ....por mais profunda e duradoura que seja uma amizade, numa conversa nunca nos entregamos tão completamente como o fazemos diante de uma página em branco, dirigindo-nos a um destinatário desconhecido” Houellebecq, Michel. “Submissão.” 


Páginas em branco sempre me foram mais amistosas que pessoas. Mais amigas.  Mais fáceis de mergulhar. Palavras sempre foram companheiras. Tipo amuleto que se apega em tempos obscuros e bálsamo para dias cinzentos.

31 - Sempre gostei de ter diários. Nunca foram secretos. Nunca escondi o que escrevia, mas senti muito quando alguém muito próximo o leu para amigos comuns. Eu tinha 14 anos. Não senti pelo que escrevi exposto, embora fossem bobagens, mas pela traição de expor coisas que não lhe pertenciam. 
32 - Acho que comecei a fazer blogs como se fossem diários. Não tinha a pretensão de que fossem um ganho financeiro (que aliás nunca foram). Por isso também não registrei o nome do meu blog que uso desde 2004. Óbvio que alguém fez isso muito tempo depois. 
33 - Quando leio gosto de sublinhar e escrever nas páginas. Um dos motivos de gostar mais de livros impressos. Isso e a mania de colocar coisas lá dentro: recortes de jornais, panfletos, folders...muitos de meus livros viram memórias do tempo que se foi.
34 - Comecei a usar a internet na época em que fiz mestrado. Era discada e muito cara. Ainda era século passado, coisa do final dos anos 90. Desde então sigo uma máxima: tudo o que posto é aberto (com exceção de fotos de crianças que procuro resguardar). Tudo o que não quero que seja visto por todos, não posto. Simples assim. Não existe privacidade na internet.
35 - Através do mundo virtual conheci pessoas maravilhosas. Grandes amigos e amigas que muito me acrescentam. A internet é como a vida real, a gente atraí o que procura.
36- Não tenho muitas vaidades. Cuido do meu cabelo com regularidade. Mas não uso maquiagem, apenas um rímel e batom. Não curto muito manicurar pés e mãos. E esqueço de passar cremes para rejuvenescer...
37 - Tenho roupas e sapatos com mais de 20 anos. E eles me confirmam a máxima de que o preço de algo é sempre uma relação custo beneficio. Algo baratinho que uso pouco é mais caro que algo dispendioso que uso por muitos anos. E se me fizer feliz vale cada centavo que gastei. Em dobro! 
38 - Se eu pudesse escolher um dom seria de ter um vozeirão para ser uma cantora de protesto: tipo uma Mercedes Sosa. Só pelo prazer de levantar uma multidão com a minha música. 
39 - Não canto em público. Nem em karaokê....mas canto no banheiro. E caminhando na rua. E já fiz um encontro de musicoterapia.
40 - Já fiz terapia de grupo e Biodança.  E nesta última soube que tenho um caminhar animal. Por causa dele tive que dar uma volta na sala, tipo desfile, para mostrar aos colegas como se faz. Não tive vergonha. 
41 - Vivo até sem celular, mas nunca sem rádio. 
42 - Entrei para a faculdade com 17 anos, após pular dois anos da formação normal. E perdi esses anos quando me transferi de faculdade. Na vida, o tempo é relativo. O que importa é o que se aprende.
43 - Não me lembro de ter terminado um ciclo de estudos em uma mesma cidade. Ou em um mesmo colégio. Me tornei uma nômade não por opção, mas por circunstâncias de vida familiar.
44 - Sempre me emociono em formaturas. Mesmo que nem conheça a pessoa. Sempre lembro da trajetória e das batalhas que se trava para chegar ao fim. 

Pinceladas de minha alma. Flashes de minha vida. Lembranças que me ficaram. Se foi assim ou assado já nem importa. "O importante é que emoções eu vivi" 

PS: Fui a um show do Roberto Carlos. Presente de um namorado italiano legítimo que, entre outras coisas, queria me dar a lua com a sinceridade dos piscianos. Uma das pessoas mais certas que me chegou no momento mais errado. Não era para ser. Mas o show me lembro até hoje....

60 fatos da minha história que você nem desconfiava (II)

“Contar a vida é como contar um sonho ou contar um filme.” Rivera Letelier, Hernan. “A Contadora de Filmes.”


As memórias vão se fundindo com versões das versões. Já não posso afirmar com certeza se o que vou relatar aconteceu assim ou se foi mudando em minha mente à medida em que ia crescendo e amadurecendo. 

16 - adorava ler desde muito pequena. Antes que as letras fizessem sentido para mim, amava que me contassem as histórias. E as memorizava para profundo desgosto de quem queria adiantar as páginas...
17- minha história predileta. Duas na verdade. A princesa e a ervilha. Obviamente que a entendo até hoje. Um grãozinho podem melar a melhor das noites e obviamente também, apenas uma princesa de verdade vai se importar ( e perceber isso). A segunda? A rainha da Neve. Ou de como se sacrificar pelo amor e passar o Diabo que o pão amassou para que o objeto do amor se dê conta da nobreza de caráter que estava desdenhando. Caso de análise. Urgente.
18- Sempre fui fóbica social e morro de medo de gente. É sim, já fiz psicoterapia de apoio. Melhorei um monte, mas ainda tenho medo de gente.
19 - Sou boa para começos e terrível para términos. Abismos de alma me fascinam e atos prosaicos me custam energias homéricas. 
20 - Nunca fui o tipo mocinha. Gostava mais de ter amigos que amigas. Mas também nunca fui moleca. Nunca tive quarto cor de rosa para desgosto de minha mãe. E meu vestido de 15 anos foi um micro preto.
21 - Era gordinha e isso me causava muitos traumas. Deixei de fazer muitas coisas por não querer expor o corpo. E nem tinha tanto excesso de peso assim. 
22- Quando cheguei em Brasília e tive que falar em sala de aula, fui recebida com risadas por causa do sotaque gaúcho. 
23- Mas isso não me marcou tanto como o comentário de que iam indicar um colega para a caloura mais bonita me mostrando que eu não merecia nem concorrer. Eu ri da piada, mas meu coração se magoou. Até porque a adolescente que me morava tinha feito roupa especial e tinha sonhado em desfilar.
24 - Sempre guardei meu eu mais profundo. Conto nos dedos as pessoas para quem me abri profundamente. 
25 - Gosto muito mais de salgados que de doces. Mas muito mais mesmo.
26 - Detestava arroz quando era pequena. E amo risoto agora. Um exemplo prosaico de como os gostos mudam. E a gente também. 
27  - Meu primeiro beijo foi aos 20 anos. E foi inesquecível. Era um namoradinho que não durou muito, não me lembro direito dele. Mas beijava divinamente. 
28 - Meu tipo de homem é moreno. Olhos negros. Meu maior amor tinha olhos azuis. Olhos me ganham.
29 - Durante muitos anos não sorri em fotos - e acho que nem ao vivo - porque achava meu sorriso feio. 
30 - Perdi muito tempo me exigindo perfeição. Meus olhos de hoje relembram fatos e gostariam de embalar (e sacudir) aquela menina que sofreu tanto sem necessidade...

São fatos? São versões? São pedaços de minha vida... ( continua

domingo, 26 de março de 2017

60 fatos da minha história que você nem desconfiava (I)

Como todos devem saber faço 60 anos este ano. (Quem não sabia acabou de descobrir). Sou da boa safra de 1957.

Confesso para vocês que ainda não assimilei de verdade essa passagem de década e entrada nos chamados anos sexies. Eu brinco dizendo que tenho um projeto chamado #idosagostosa que vem desde 2012, com algumas interrupções por problemas alheios à minha vontade.


Mas agora não dá mais para fugir. O calendário vai mudar e sim, serei uma pessoa idosa. O que virá, eu sei lá que nunca fui de muito planejar. Até planejo, na verdade, mas nem sempre sigo a risca esses planos. Deixo a vida me levar a maioria das vezes.

E esses 60 anos...como passaram???? Deixa recordar com vocês 60 fatos sobre eles.... Vai ser meio ser ordem cronológica porque vou fazer um voo sobre o passado.


  1. Eu poderia ter me chamado Elizabeth Cristina ao invés de Elenara. Houve um sorteio lá em casa e meu irmão ganhou.
  2. Só fui me habituar com o meu nome lá pelos 40/50 anos mas...
  3. Nunca chamei nenhum namorado pelo seu nome. E também não gosto que me chamem pelo meu.
  4. Queria muito ter tido apelidos (devia ser consequência da estranheza do nome - mas o que tinha em casa não me agradava: Baixinha.
  5. Deixei de ser chocólatra quando caí de um banco ao buscar um ninho de Pascoa escondido. Agradeço até hoje a minha mãe por te-lo escondido...
  6. Adorava séries de ficção e tinha paixonites secretas (ou nem tanto) pelo Capitão Kirk de Jornada das Estrelas (série original) e o Major West de Perdidos no espaço.
  7. Era fóbica social desde pequena. Fui conhecer o então namorado de minha irmã (meu atual cunhado) uns três anos depois do começo do namoro porque eu me escondia atrás do sofá da sala quando ele chegava.
  8. Pelo mesmo motivo tinha vergonha de agradecer e jogava fora os presentes de aniversário quando era pequena.
  9. Era telemaníaca e sabia as horas pelo programa de TV.
  10. Tirei o primeiro lugar no primeiro ano primário e ganhei medalha que guardo até hoje. 
  11. Pulei a quinta série e fiz exame de admissão para o ginásio por minha vontade própria.
  12. Fiquei menstruada (se dizia ficar mocinha) com dez anos. Estava brincando de boneca e não fazia ideia do que era aquilo.
  13. Um cara me seguiu na rua, falando umas coisas esquisitas quando eu tinha uns 10 anos. Contei sobre isso em Meu primeiro assédio
  14. Fui esquecida no jardim de infância. Todo mundo confiou que o outro ia me buscar e fiquei lá sozinha, eu e minha boneca.
  15. Não aprendi a andar de bicicleta porque na época de tirar as rodinhas nos mudamos para a capital e minha mãe achava perigoso que eu andasse na Praça da Matriz de bike.
Tá, eu sei que recordações pessoais são enfadonhas e por isso vou fatia-las para que sejam mais palatáveis. Já escrevi uma vez sobre 20 coisas interessantes que já provei na vida e prometo que vou me esforçar para que as 45 restantes sejam mais interessantes...

Até lá.... (Continua)

domingo, 5 de março de 2017

Cuidar de mim para poder cuidar dos outros

Desde pequena meus testes de aspirações sempre apontavam uma alma generosa. Com os outros.

Quer me ver mover mundos e fundos? Sentir que alguém precisa de minha ajuda. Deixo timidezes e medos internos e faço coisas que não faria por mim.

Errado.

Não, ajudar os outros é bom e me faz bem. Não preciso deixar de ser generosa com o mundo. Ele bem que está precisando disso e acho que pode ser minha contribuição de formiguinha.

Mas até quando testezinho bobo de rede social te aponta um caminho, é porque a vida está mandando sinais...


E o errado é que eu estava me esquecendo de mim. E com isso a minha generosidade ia pelo ralo. Estava me tornando intragável, mal humorada, sem folego e sem energia.

Ponto UM: e eu sempre repeti como mantra: pessoas felizes são mais generosas com a vida.

E se eu sempre soube disso tanto que alardeava para todos, e praticava comigo, o de procurar pelo menos um momento de felicidade por dia, onde foi que me perdi???

Na roda viva do mundo. Nas agruras das doenças e naquelas coisas que nem nascendo em lar mais privilegiado ficamos imunes. E sem tempo para respirar fui colocando sempre o outro na frente e eu para lá. 

Eu cada vez mais para lá. Descendo a ladeira.

Deixei de me cuidar fisicamente. Deixei de traçar metas. Me deixei.

ERRADO!!!!!

Meta número um sempre: minha saúde e bem estar. Sem eles não vou conseguir ajudar ninguém.

E veja bem, estar na meta primeira da vida não significa egoísmo infantil nem que vou largar tudo e SÓ seguir minhas vontades. Deixei de ser criança há muito tempo e aborrescente também. Pessoas adultas tem escolhas e tem responsabilidades. E dentre as minhas não se encontra largar tudo para o alto e flanar feliz, leve e solta pelo mundo.

Minhas escolhas e minha felicidade incluem trocas e tudo o que de trabalho elas implicam. E isso que faz a parte boa também. Aparar as arestas. Se conhecer e conhecer o outro. Os outros. Sentir amor. Sentir mágoa. Falar. Elaborar. Não deixar passar. Não deletar por medo de enfrentar.

Então no meu 2017 (ano dos sessenta) entro mais firme no projeto Idosa Gostosa. E nem no sentido de ficar sarada, mas no de ser uma pessoa mais legal. Inclusive comigo.