terça-feira, 16 de agosto de 2016

Lições de uma Olimpíada

Cada um tira suas lições de acontecimentos na vida. Das inúmeras histórias e imagens que vi dos jogos olímpicos Rio 2016, me ficam três lições:

Superação

São tantas histórias impactantes de pessoas que passaram por tantas dificuldades: atletas com lesões, sem pátria, enfrentando depressões e muitos problemas. E foram lá e fizeram o seu melhor. Uns ganharam medalhas, outros competiram. Todos são vencedores.

Pessoas que tiveram que mudar estados de espírito de derrota para enfrentar nova batalha. Algumas vezes em poucos minutos. Outros que foram traídos pelo seu emocional. Outros ainda que superaram antigas derrotas. Um dos segredos da vida sempre foi, e sempre será, a capacidade de ir em frente. Apesar de. De acreditar que é possível. E focar. Trabalho suor e talento juntos são uma das receitas do sucesso. 



Patrocínio

Não existem milagres nas conquistas. Especialmente em uma competição tão acirrada como uma Olimpíada. Se o talento, garra e suor do atleta são imprescindíveis, o apoio financeiro, logístico, psicológico é fundamental. Não importa se é estatal, da iniciativa privada, se é das Forças Armadas ou universidades. Um atleta é uma promessa até que seja treinado. Uma medalhista de Ouro poderia ter se perdido em uma comunidade carente, se ali não existisse uma oportunidade em forma de instituto, escolinha, ginásios.

Uma Daiane dos Santos, que foi descoberta por acaso, poderia ser uma Nádia Comaneci se houvesse um aparato para torna-la campeã. E isso não tem ideologia. Tem trabalho de base. É na infra estrutura de esporte, nos equipamentos, nos locais para treinar. E depois de detectado o atleta, ele precisa de apoio financeiro para se dedicar integralmente ao esporte.

Lembro que umas décadas atrás li, com espanto, que grande parte dos nossos atletas olímpicos tinham problemas nos dentes (!). Se quisermos saborear medalhas, a preparação começa hoje. Ontem. E visando jogos duas décadas na frente. Portanto em vez de brigar por quem patrocinou quem até agora, vamos apoiar as lutas por mais patrocínios, institutos e escolinhas de formação de atletas.      

Respeito

Competir, não brigar. 

Vi duas cenas diferentes e altamente representativas. 

Uma nadadora que perde uma medalha ganha (a de bronze) por tentar vencer a qualquer custo. Foi desclassificada. 

Outros dois atletas que fizeram um dos jogos de tênis mais eletrizantes que já vi, onde a vitória se deu por detalhe. 

O abraço que trocaram ao final do jogo simbolizava o respeito pelo rival do momento. E o reconhecimento do valor da competição: uma superação de limites e um embate justo. 

Que vença o melhor. Nem sempre. Mas a verdadeira superação é quando todos saem vencedores. Superaram seus limites e deram o melhor de si.    
   

PS: O julgamento

Vivemos em uma época onde a memória do que fizemos e fazemos se perpetuará para sempre. Aumenta nossa responsabilidade pelos nossos atos. Coloca uma carga imensa sobre quem talvez não tenha refletido muito bem sobre isso. Alguns atletas estão sendo julgados pelo que fizeram antes e durante as Olimpíadas.  

Um de nossos atletas fez uma "brincadeira". #SQN. Ele e os colegas cometeram um crime. Cultura nossa fazer piada de tudo e julgar que os ofendidos devam se calar? Sempre foi assim, né. Quero crer que ele aprendeu uma lição e se superou até em função disso. O "humor" não pode ser desculpa para uma ação que ofenda. E isso não é ser politicamente correto, é ser humano.  

(Nessa história o que mais me incomoda no final é saber se o menino ofendido está fora da competição por critérios técnicos ou se foi uma "punição"....não tenho dados para tecer uma opinião criteriosa a respeito, mas a dúvida me cutuca.) 

Também não gostei de um apelido de um de nossos atletas, o Bolo Cru. Achei bullying total. Pode ser que ele não, não sei. Mas na vida, infelizmente, nem sempre os caminhos são rosas. Os espinhos tem que ser administrados.

Uma atleta americana tem sido muito criticada nas redes sociais por não ter colocado a mão no peito na hora do hino....

E por aí vai a lista de julgamentos e verdades absolutas com que nos revestimos na hora da crítica. Não invalida os atos, certos ou errados, conforme nosso ponto de vista e a liberdade de opinião será sempre um valor a ser resguardado.

Mas a tolerância também. Cometemos erros. Todos. O que nos difere é o que fazemos com eles. 


sábado, 13 de agosto de 2016

Sem causa, justamente choro e rio - como já dizia Camões

Tem dias em que a máquina despiroca. 

1. DespirocaSignificado de Despiroca Por Dicionário inFormal (SP) 
Ato de despirocar, enlouquecer, desvairar.
Se acontece (com frequência) nos computadores e smart phones, por que não aconteceria conosco (e despirocada como estou, vou lá me importar se escrevi o tal do porque certo????).

Em geral sou uma pessoa serena. 

Por fora.

Por dentro sou uma turbilhão. Mas normalmente, depois que saí da adolescência - mesmo a tardia - consigo administrar as "noias" internas. Me custa uma naba de energia, mas consigo.

Mas tem uma coisa que me abate. Quando o perco o tesão. Sabe aquela brochada com a vida e pior, com a gente mesma????

Parece que desliga algo da tomada. E nem o sol, com a sua linda energia, consegue me levantar do chão. Nem livro de auto ajuda. Pode isso????

Me conheço o suficiente para saber que preciso religar o entusiasmo com algo. Com alguém. Comigo mesma.

E como tenho fé, mas também sou cética, não funciona o segurar na mão de Deus, Deusa ou talismã. E não pensem que não rezo. É que acredito firmemente no livre arbítrio e que deve partir de nós o desatar os nozes da vida.

Despirocada então, resta me abastecer de coisas boas. Sem esquecer que mesmo no desvario, a vida segue, as contas tem que ser pagas e os projetos tem que ser terminados.

Quem venham os livros e leituras do bem. As palavras de carinho de quem lê e a energia que sei me habitar desde sempre.

Se Camões já sentia um tanto assim, talvez as razões fossem outras, mas o sentir é descrito com perfeição:

Tanto de meu estado me acho incerto
Que em vivo ardor tremendo estou de frio
Sem causa, justamente choro e rio
O mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto
Da alma um fogo me sai, da vista um rio
Agora espero, agora desconfio
Agora desvario, agora acerto.

Fosse hoje, talvez não tivesse escrito um poema, já que teria resolvido seu estado incerto com um rivotril da vida....Ou fosse considerado bipolar.

De mim que (ai!) não sou poeta, a vida (eu) cobra resolução e bom senso. Deixando as despirocadas para lá. Tentarei. Juro  

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Bananas, elegância e lua nova

Era noite de luz nova. A nova é aquela que não aparece no céu, confere? Tempo de plantar bananas e meditar sobre um novo plano.

O que tem a ver bananas com meditação? Bananas são um fruto interessante. Não são exatamente elegantes, mas são tão cheios de qualidades que compensam. Acho que achei a resposta.

Enfim. Meditar é o que ela vinha fazendo a maior parte da vida. Ficava nesse estado de lua nova, a que brilha mas não aparece. Brilha para dentro, para o outro lado que não o da fama.

Auto sabotagem talvez fosse a palavra mais certeira. Cortava seus caminhos. Podava suas chances. Negava seu futuro. E depois sofria, sofria, sofria.

Tudo bem, mas o que tem a ver bananas, meditação, auto sabotagem, lua nova com a tal da elegância? Desde quando ter opinião é fácil? 

Fácil coisa nenhuma, que frase mais besta, sô! Mais fácil ter a elegância de parecer concordar com o grupo. Não causar celeuma. Deixar que o todo se assuma como o tal, mesmo que no fundo ela saiba que não.

Não, isso também não era do seu feitio. Que opinião sobre tudo, ou quase tudo, sempre teve. Não ia ser por desapontar uns e outros que ia deixar de ter. Podia se sabotar dos pés a cabeça, podia até não falar em alto e bom som tudo o que pensava, de quem pensava e por que pensava. Mas que pensava, isso sim. E muito.

Meditava também. Não tanto quanto deveria que meditar de forma bem feita faz bem ao espírito. Talvez traga mais disciplina, coisa que lhe falta com certeza. Se perde no devaneio, fica que nem fase da Lua. Umas vezes cheia e vibrante. Outras minguante e depressiva. E nas fases de lua nova só se deixa levar, como naquela música que um dia embalou vitórias. Mas é um deixar-se levar sem glória, sem rumo e sem taça no final.

Mais valia se seguisse os roteiros pré- estabelecidos. Isso de seguir receitas e roteiros é muito mais fácil na vida. Ou não veem o sucesso dos manuais de auto ajuda? E dos gurus que apontam rumos. Basta seguir e pronto.

Não. Também tem que se esforçar mesmo seguindo os roteiros. É obvio. Já fomos todos expulsos do Paraíso e isso significa que não é para ser fácil. Demanda suor. Demanda trabalho. Pelo menos para quem não nasceu em casas certas. 

Isso pensando na parte material. A do espírito é mais complicada. Se a gente nasceu de Lua, não tem receitinha que acalme a mente inquieta. Palavras abstratas começam a fazer sentido. Sentimentos alheios se tornam próprios. Olhares outros sobre o que uns acham assado. E nós assim.

E ainda tem essa tal da elegância. Atrapalha a vida esse ritual de ter uma certa empatia pela raça humana, pelos animais, pela natureza. Bem melhor ter uma opinião firmada sobre tudo e arrotar certezas que amargar dúvidas. 

Mas e as bananas? 

Épocas em que a lua não brilha, plantam-se bananas. Mas também é época de unir forças e fazer planos. Mesmo que devam esperar por fases lunares (e/ou solares) melhores.