sexta-feira, 29 de julho de 2016

Escolhas são apenas escolhas

tem disso na vida. Aqueles dias em que tudo parece desacontecer. A mão pára no ar, o ventre desaloja o feto, a magia se apaga e a luz teima em piscar. Um átimo. Um momento sem importância e pronto. Acabou.

tá, nesses dias de minúsculas andejantes, melhor se entorpecer com esse lado Medeia de ser e não tomar decisões drásticas. Nem pense em mudar o cabelo, muito menos deixar um emprego. E nem dar o fora naquele cara que faz teu coração bater. Nem que ele seja causa/efeito de todo um sinkhole tsunamico em sua vida. 
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim
todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa

talvez melhor respirar meio fundo. Tomar outro gole de vinho que ajuda a clarear as ideias. Um tarô online também serve. na falta dele, um livro aberto ao acaso, qualquer método que te coloque em contato com a sabedoria interior. Quem? Sabedoria? Nesse momento parece tudo, menos sábia sua alma que grita escolhas pra que te quero!

deixa ela prá lá então.

O dia vai mesmo amanhecer de novo. No meio talvez uma noite mal dormida, quem sabe bem. Vá lá se saber. E a maldita da escolha vai acontecer. Melhor que seja com a cabeça mais descansada.


Escolhas são apenas escolhas. Não acredite muito naquela coisa do cavalo encilhado que passa só uma vez. Pinoia. Passam outros cavalos, talvez mais belos. E se não passarem, passam bois, cachorros, gatos. Quem sabe um unicórnio?

E lá está você, deixando sair caraminholas de uma cabeça que deveria ser em tudo mais séria. Mas não é (o famoso #SQN).

Porra, SQN no meu tempo era uma super quadra do setor norte em Brasília. No meu tempo já dá uma pista da idade. Quando a gente começa a delimitar meu tempo é porque já passou dele. 

O Espelho
Esse que em mim envelhece
assomou ao espelho
a tentar mostrar que sou eu.
Os outros de mim,
fingindo desconhecer a imagem,
deixaram-me a sós, perplexo,
com meu súbito reflexo.
A idade é isto: o peso da luz
com que nos vemos.
Mia Couto-
 “Idades Cidades Divindades”
Idades e escolhas. 

"O peso da luz com que nos vemos". Bonito isso de ser poeta. Falam de jeito tão especial e fazem as rugas e a decadência até mais amenas.

Talvez sejam eles, os poetas, nossos verdadeiros salvadores. Que importam as escolhas, se certas, se erradas, se o sentido na verdade é não fazer muito sentido. se tudo vai se acabar (para nós) em um átimo, seja a juventude, seja um amor, seja a vida. 

E quando nosso corpo findar o seu prazo de validade, o mundo continuará girando, o sol saindo e iluminando. E mesmo os que amamos continuarão vivendo. E bem. Sem nós. 

E pronto.

Passado um tempo, de nós não restará nem a lembrança. Nossas escolhas e medos, e grandezas, e todo o resto que nos forma....virarão fumaça.

Talvez reste nossa alma. Ou energia. Ou átomos soltos, à espera de uma nova união. Talvez nos tornemos luz em um grande oceano de harmonia. Quem há de saber...

Até lá resta-nos viver. Da forma que nos traga um significado. Mesmo que momentâneo.   



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