terça-feira, 31 de maio de 2016

Ponto de maravilha

Sou eu. Se é que alguma vez me soube com inteireza....Algumas épocas de minha vida achei que sim. Me era mais amigável. Eu me lia mais. Foram momentos incríveis.

Mas a medida que os anos passam, se apossa de minha pessoa uma espécie de sabedoria que se aproxima àquela velha máxima: só sei que nada sei. 

As certezas já não servem como muletas. O pragmatismo analítico se torna mais concreto. Deve ser minha lua em gêmeos afinal que vê os lados de todas as situações como se fossem isolados e encontra coerência nos dois. Embora sejam díspares. 

Sobra como sempre a velha e boa intuição. Aquele quezinho que bate lá dentro e é como uma cadeira confortável, um sapato que veste bem, um aconchego de sentir que sussurra que isto é certo, ou mais certo que aquilo.

Este sussurro é o diferencial. Antes era grito. Era emblema tatuado, era carimbo na testa. Hoje é murmúrio suave. As vezes nem tem tanta relevância assim. Serve para montar a harmonia que forma minha interna (e eterna) desordem. 

Vamos ficando mais sábios com a idade. Vamos quem, cara pálida? Nem todos se tornam vetustos.  
Vetusto: adj. Cuja idade é excessivamente avançada; velho ou antigo.Que provém de um tempo antigo; remoto.Que foi estragado ou danificado pela ação do tempo.P.ext. Quando o excesso de idade atribui respeito; venerabilidade.Pej. Que é ultrapassado; obsoleto: pensamentos vetustos.

(Etm. do latim: vetustus.a.um)
Vetustos no sentido de venerável, ressalte-se. Nem todos criam juízo. Na verdade tenho para mim que a maioria finge um tento que não tem, é mais imagem externa que realidade interna. 

O que resta, então? Ir levando. Administrando essa rota vagabunda que nos leva a um fim que apenas tememos. De um fim que nada sabemos. De um ponto final que nos leva a respirar fundo e tentar agir num algo que nos faça pelo menos perdurar em lembrança. Para alguém. 

Elegemos nossas lutas. Tentamos sobreviver. Uns fazem de conta que são felizes. Uns o são realmente. Cada um descobre onde o ponto de maravilha.

O ponto de maravilha. Aqueles momentos que justificam tudo. Aqueles momentos mágicos em não se precisa saber de nada, nem quem se é. Apenas se vive.

Talvez seja uma das respostas da Vida. Reunir o máximo de pontos de maravilha que se consegue. Mas se já conseguiu um, já valeu. E quem viveu, sabe do que estou falando.   

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