sábado, 23 de abril de 2016

Sair da zona de conforto é preciso

A gente cresce e vai acrescentando experiências e consolidando certezas.

Algumas são ótimas, nos ajudam a sobreviver. Outras, ao contrário, se tornam empecilhos de novas descobertas.

Como saber a diferença? Como distinguir entre comportamentos e crenças que ainda são relevantes dos que simplesmente viraram zonas de conforto?

Nem sempre a fronteira tem contornos precisos. Um deles é quando algo nos incomoda.

Pelo menos para mim funciona assim. Algo me bate como um soco. Fico desconcertada, algumas vezes até meio raivosa. Como assim? 

Como assim - fica me martelando. E o que fica rebatendo dentro da gente merece uma olhadela com mais calma.

Foi assim em uma palestra almoço que fui esses dias. Era sobre os mitos gregos de Cassandra e Medeia

A primeira, Cassandra, era aquela vidente que sabia tudo o que iria acontecer mas foi amaldiçoada por um macho deus raivoso que a condenou a ser desacreditada sempre. Puxa, cara, a mulher SABIA o que ia se passar, falava, denunciava e ninguém bola. Ao contrário, a chamavam de louca. Inclusive a família. (Muita gente se reconheceu, né).

A outra era aquela mulher que ajudou outro macho prá caramba. Em sua função bateu contra a família e a sociedade. Largou tudo por ele. E quando viu, ele a trocou por outra princesa mais jovem e que poderia lhe trazer mais ganhos. O que a pobre louca fez? Tentou matar a rival e matou os filhos que teve com o cara.

Tá achando que tragédia grega é moleza? Não é não. Mas e SE...

(O E SE é o começo de sair da zona de conforto.). E SE houvesse outra versão? E SE o relato original que conheço fosse feito sempre pelo olhar masculino? E SE...

E se Cassandra e Medeia fossem apenas mulheres lúcidas e guerreiras. Apaixonadas e ousadas. E se não seguissem o roteiro previamente traçado para elas?

E se os seus crimes fossem amplificados para que parecessem realmente hediondos? E se Medeia nunca tivesse matado seus filhos?

Na vida, mais que a verdade absoluta, prevalecem as versões. Nós também fazemos isso. Damos e elaboramos nossas versões para tudo. E normalmente as que mais nos satisfazem. Mesmo que esse satisfazer esteja muitas vezes longe do que chamamos de prazer e felicidade.

Por isso o soco no estomago é as vezes libertador. (Não o literal, mas o metafórico).

Pense nisso.

PS: A palestra foi acompanhada de delicioso almoço


Entrada
Salata Eliniki (mix de folhas com aliche, alcaparras, tomate, rabanete, azeitonas, dill e vinagrete de limão)

Principal
Moussaka (lasanha de berinjela com carne e molho de queijo
Sobremesa
Rizogalo (arroz doce com compota de ameixa e água de rosas)
  

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