terça-feira, 22 de março de 2016

Diz que fui por aí


Peguei minha viola, minha mala emprestada, minhas roupas puídas, minha alma dolorida e fui por aí. Nem tão perto como achava que devia. Nem tão longe como poderia.  

Na bagagem alguns livros. Um baita cansaço. Uma mente confusa. Uma vontade de reencontro. 


As viagens que a gente faz por precisão nem precisam de quilometragem. Podem ser feitas a pé. Pode ser uma volta no quarteirão. Pode ser uma "mochilagem" ao redor do mundo. A jornada verdadeira acontece dentro da gente.


Um caos por fora. Um não sei mais o que virá. Uma ponta de desesperança, fruto da maturidade ou do começo inexorável da velhice. Não a de fora, a das juntas doloridas e da pele encrespada pelas rugas e plissados que a vida traz. Aquela velhice pior. A que se aloja na alma e faz as vezes de freio nas ilusões da vida.


Deve ser cansaço. Onde já se viu uma ariana velha? Uma geminiana de lua querendo pendurar as chuteiras de um sonhar de utopias....Não, definitivamente, não. É pura estafa. Um meio termo entre a resiliência de todo dia e o elástico que já começa a ficar roto.


Gente normal faz isso todo ano. Se chama férias. 


Gente que tenta ser forte ou que não tem saída, vai levando além do limite. 


Por isso carece vez que outra de dar um basta. Pegar seu violão, dizer que saiu por aí e ...


Se quiserem saber se eu voltoDiga que simMas só depois que a saudade se afastar de mim


segunda-feira, 14 de março de 2016

Diálogos - o poder da elegância

Tenho alma zen. Acredito na não violência e no poder da elegância.
Disse isso para um amigo quando conversávamos sobre a virulência das redes sociais nos últimos tempos. Os diálogos em que se troca argumentos e ideias dão lugar aos xingamentos e certezas cristalizadas. Com isso não é só o crescimento que se perde. Amizades, parentes e até amores morrem sob a lei da intransigência.

Qualquer palavra mal dita, ou pior, qualquer pensamento contrário, parece por em xeque e balançar algumas pessoas. Provavelmente as que não elaboraram de forma consistente. Ou que tem tendência a crer que a sua visão de mundo é a mais certa.

Falta de leitura talvez. De vivência, quem sabe. Ou a eterna necessidade de terem gurus ou pelo menos um analista que explique o que estão sentindo. Pela reprodução coordenada de discursos acho que essa é a explicação mais aprofundada.

Por sorte, existem os que tem muita firmeza no que pensam e são exatamente esses que se dispõem ao dialogo. Conversam, debatem, fazem com que a gente consiga entender como chegaram às suas convicções. Em outras palavras:acrescentam.

Porque acrescentar deveria ser a finalidade da interação. A gente não nasceu para ouvir e ver as mesmas coisas que acredita. Se fosse assim o mundo não teria evoluído.

E foi falando sobre o dialogo e algumas regras minhas para estabelecer um de maneira madura e qualificada que me dei conta da diferença entre o espectador e o expectador.
Procura se colocar fora do debate, como se fosse espectador
Uma das minhas regras, nem sempre fáceis de seguir. E na realidade se formos observar, muitas vezes entramos como expectadores. Ou seja, ao invés de observar e tentar manter a razão, temos expectativas. E reagimos mais às nossas expectativas que ao que a outra pessoa está dizendo.
Eu acredito no diálogo. E por isso não procuro fazer um monólogo a dois. Quando me disponho a falar com alguém, eu procuro escutar e tentar entender os argumentos do outro. Mesmo que me levem a reforçar os meus. 

Mas sigo algumas regrinhas pessoais:

Uma fundamental: relevância da pessoa que fala. Nem sempre me disponho ao debate se gosto da pessoa e sei que ela tem verdades muito arraigadas com as quais não concordo. Se não gosto, então, nem me preocupo.

Mas se, passado por esse crivo, resolvo entrar na briga procuro não brigar. Se tenho que responder muito firme com alguém mais agressivo prefiro usar o famoso " tapa com luva de pelica". Ele quase sempre dói mais. O violento busca a violência para se justificar. Quando recebe educação, fica mais possesso. É divertido.

Outra arma poderosa é o humor. Mas tem que ser não desqualificador. Um humor delicado. E nem sempre se consegue. A ironia é uma arma de dois gumes. Pode magoar muito fundo. 

Para um dialogo frutífero há que se manter a razão. Procurar olhar a situação de fora. Mandar TNC pode lhe aliviar por momentos ou para sempre. Mas nem sempre ajuda em um dialogo.  

Mas estas são regras minhas. Ninguém é obrigado a segui-las nem as achar corretas. Mas eu continuo acreditando sempre no poder da elegância. Acho que ele perdura e ajuda mais que atrapalha.

Então #ficaadica #poderdaelegância