quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Fui comprar tênis e saí de sapatos vermelhos

Dia complicado. 

Fim de mês. Auto estima em processo de reencontro. Mas bem no comecinho, saca? Mais prá menos que prá mais. 

Junta burocracia e um monte de coisas para fazer. Justo aquelas que a gente detesta. 

Resumo dos meus últimos dias. 

Juro que estou tentando. Tentando focar. Tentando me organizar. Tentando não ser paranoica e achar que (quase) tudo está dando errado. 

E o pior!!!! Já passei da menopausa há muitos anos. Então nem sobre ela posso julgar a culpa. Não há chocolate que passe. Ao contrário, só vai aumentar o peso.

Pois foi nesse dia, depois de um chá de banco em um Banco, que fui comprar um par de tênis.  

Não que eu seja lá muito esportiva. Mas amo tênis sem cara de tênis. De velcro. Preto. O meu está caindo aos pedaços e quem disse que desapego. Não. Não mesmo. Pelo menos até achar outro.

Mas não é todo dia que passo (a pé) por aquela loja. Sempre tive vontade de vasculhar o que tinha por ali. Sempre pensando no tênis. Preto. De velcro.

Não tinha. Obvio. Mas tinha um vermelho. Tênis vermelho. Vá lá, era vinho. Bonitinho até. Mas....

No meio tempo meu olhar caiu em um sapato de salto. Croco. Amo croco!!! É o meu lado perua, confesso.

Obvio que não tinha meu número. Para quem não sabe, calço 33 1/2. Vai achar esse número em calçado brasileiro. Não tinha o croco bege que vi. Bege é a minha cara, né. Sempre discreta.


Tinha vermelho. Croco. De salto. E vermelho. 

Saí com ele. 

Fui comprar tênis e saí de sapatos vermelhos. 

Me senti maravilhosa. Meio cigarra. Meio menina que dança com sapatos vermelhos. Meio sem noção. Meio gente que escolhe dar um basta na mesmice do dia e sai dançando na chuva.

Sapatos vermelhos. 

E ainda preciso dos tênis.   

sábado, 24 de outubro de 2015

Cultura do OU - o caminho é agora

Verdades e certezas absolutas. Estou fora. 

A gente constrói nossas vidas em escolhas e esbarramos em encruzilhadas. Ou isso ou aquilo. E muitas vezes temos que optar. Algumas decisões são difíceis, complicadas. Mas delas é feita nossa vida.

Para nos amparar vamos construindo uma rede de certezas. Algumas nos servem agora. Ou nos serviram no passado. É bom ter convicções. Mas para mim cristalizá-las, mantê-las congeladas como verdades absolutas cheira a sectarismo.

Nunca gostei de gurus. Nunca acreditei que devo seguir cegamente algo porque alguém assim pensou alguma vez. Por mais sagrado, inteligente e respeitado seja o texto. 

Não acredito em dogmas. Não sei porque algo tenha que ser isso OU aquilo sempre. Porque não pode ser isso E aquilo. Ser cristão e marxista. Acreditar em meritocracia e cotas. Também vale para o contrário. Aceitar algo do espiritismo, mas não tudo. Vale para qualquer religião. Estar aberto à outras verdades.

Ser gremista e não anti colorado. Ter amigos que creem (MUITO) diferente e mesmo assim amá-los de verdade. Conhecer quem pense muito parecido e não ter nada a ver.

A vida é feita de possibilidades. Quando a gente delimita os caminhos em isso OU aquilo, sempre fecha horizontes.

E o futuro  é feito de folhas em branco prontas para que se rascunhe, escreva, reescreva e repense nossa história. O caminho é agora.

domingo, 18 de outubro de 2015

O que faz você parar e pensar: “Uau!”

Essa pergunta, tipo indagação daquelas que entra dentro da gente, meio sem modos, feito vizinha fofoqueira, me pegou de cheio. Como assim o que me faz parar e pensar: UAU!

UAU é o aportuguesamento de WOW! Que deve vir de wonderful. Wonder, mal traduzindo, é maravilha, milagre, encanto, espanto, enigma, assombro. Palavras que por si só dariam um poema. Mesmo que de pé quebrado.

Maravilha que nasce alegre
Transforma o agora em milagre
Traz encanto
Puro espanto
Puro enigma n'alma
Assombro que não acalma
O que realmente me deixa nesse estado meio bobão? Tirando os óbvios sentimentos de generosidade, paz no mundo, dia de sol e orgasmo com amor, o que me faz parar e gritar UAU passa por:
  •  Um livro magnifico que me arrebata e não me deixa parar até que eu chegue ao final
  • Uma música que me leve sem que eu espere e vá num crescendo até explodir em um acorde final
  • Uma saudade boa de alguém que já não posso ver
  • Alguém querido saber o que quero dizer sem que eu precise dizer. E justo na hora em que eu mais preciso dizer.
  • Chegar a uma solução de projeto quase perfeita. E que se confirma pela satisfação de quem vai usar aquele espaço.
  • Uma noite bem dormida com um sonho perfeito.
  • Um risoto de primeira acompanhado de um bom tinto.
  • Um brilho no olhar ao cruzar o meu.
  • Uma resposta bem dada.
  • Uma roupa linda que entra como uma luva, naquele manequim que um dia foi meu.
  • Uma mesa de queijos e vinhos.
  • Pessoas arrebatadoramente inteligentes.
  • Descobrir uma carta, um cartão, uma foto, qualquer coisa que me fale de amor por mim de quem eu amo. E que eu não sabia existir.   
  • Uma massagem em um dia exaustivo.
  • Um banho relaxante idem, idem.
  • Um brinquedinho tecnológico novo.
  • Uma pesquisa. Não importa se for para descobrir algo, uma pessoa, uma fato. Qualquer coisa que me instigue a curiosidade.
  • Ser lembrada por quem já foi tão importante na vida. Não todos. Só alguns. Os especiais. Que são muito poucos.
  • Escrever um texto bom. As vezes nem precisa ser bom, basta escrever.
  • Estojos de lápis de cor e livros. 
  • Um ombro amigo que me proteja e me faça sentir acarinhada.
  • Viajar. Não importa a distância, não importa o tempo. A companhia importa e muito.
  • Vencer um desafio. Principalmente os mais cabeludos.
  • Resolver um enigma. 
  • Ajudar alguém. 
Tantas coisas, umas tão banais. Outras tão pessoais. Deve haver mais que agora não lembro ou não quero dividir. Meus UAIs não passam por adrenalina. Ao contrário, esportes radicais e tudo o que me tire os pés do chão me fazem ficar nervosa, com medo. E medo não me dá UAU. Não é wonder absolutamente.

Meus momentos mais preciosos passam por sutilezas que não são instantâneas e nem vem de fora. Não se compra em farmácia. Meus UAUs nascem dentro de mim.  

(Projeto 52 respostas em 52 semanas)
 

sábado, 17 de outubro de 2015

Nós, Nozes, Nós

C
Salvador Dali
Nós a gente desata.
Nozes a gente consome.
Nós é que aperta o calo.

Quando tudo derrete ao sol, feito espuma de sabão, a vida vai se parecendo a um enigma mal resolvido. Um clichê barato que mal encaixa suas peças e logo transparece toda uma inconsistência que beira ao non sense.

Talvez o tempo seja assim mesmo. Uma invenção absurda de quem tenta fazer sentido o que pouco tem. Para quem, por acaso, olhasse a Vida de um outro ponto de vista, tipo um avião, se possível fosse, talvez visse tudo como um imenso mundo que coexiste.

Mas Nós, meros seres rastejantes, condenados à procura de substância, nós procuramos encaixes. Por eles nos consumimos. Por eles atamos nós. Por eles vivemos, sobrevivemos. Apesar deles, apesar da falta deles, na verdade. Apesar de.

Sempre me resta a dúvida de que o roteiro talvez seja esse mesmo. Um dramalhão, uma opereta. Talvez nada faça muito sentido. E que nos reste apenas descobrir, nem que seja de muito leve, que a Vida paira bem além de nossos calos.

E que no final, feito fim de festa, vamos apenas nos derreter. E ir findando, findando, até que de nós reste apenas uma lembrança na história de alguém.

Nós, a vida nos traz.
Nozes, vira banquete.
Nós, a gente é quem faz.       

domingo, 11 de outubro de 2015

Frágil que dá dó - sou eu

Frágil. Devo ter sido marcada no bico da cegonha como muito frágil. Tipo: cuidado para não quebrar.

Estão rindo com a história da cegonha. Pois saibam que ela era moda no século em que nasci. Meu irmão foi inclusive no zoo falar com a própria para pedir um irmãozinho. Coitada, devia ser meio surda porque em vez do piá para jogar bola e brincar de soldado, acabou trazendo uma guria loirinha e de grandes olhos castanhos. E cheia de fragilidades.

Mas nem eram essas fragilidades que as meninas aprendem a mostrar, nesse joguinho de gêneros. Essas coisas de frufru e cor de rosa nunca me pegaram. Gostava de princesas sim, mas as minhas histórias eu mudava o enredo para uma mocinha menos dependente. 

Não, essa fragilidade que falo vem de uma percepção de mundo cheia de empatia. Uma capacidade de se colocar no lugar de outro (e sim, até dos que pensam diferente). Um defeito de fabricação que me faz meio torta, meio sem noção de comportamento. 

Não, não sou rebelde. Pelo menos não para fora. Sou só diferente. Meio quietona. Meio na minha. Meio sentimento em grau hiper mega blaster. Meio sonhando com utopias e quimeras. Meio assim.

De vez em quando esse sentimento todo transborda. Me sinto um "pote até aqui de lágrimas", choro sozinha. Fujo para que não vejam que meus olhos brilham sim, mas de tristeza. Uma tão profunda que dói. E a vontade é de sumir desse palco vagabundo, encerrar a cortina e dar meu adeus silencioso.

Mas....em algum lugar, lá no fundo, reside também uma coragem e uma idiota de uma esperança que faz tudo passar. Dentro de mim. Coisa mais boba, mudo eu para então o mundo começar a mudar para mim. Quase sempre funciona. Acho que deve ser mágica. Sei lá.

domingo, 4 de outubro de 2015

Até porque SOMOS fodas


Mulheres cansadas
Fodonas! Já disse que não sou. Pelo contrário. Sou até bem bobona. E essa coisa do ONA vem como rótulo quando a gente passa de certa idade. A não ser que sejamos uma Cláudia Raia da vida que passava dos 1,80 com tenra idade. 

No começo somos inha. Bonitinha, gostosinha, queridinha. Depois passamos aos adjetivos simples: bonita, gostosa, querida. É quando a gente vira ONA que a coisa começa a pegar. Igual quando nos chamam de tia pela primeira vez na rua. Tia, me dá um troco? Como assim moleque, e eu lá sou tua parenta? ( e eu já usava parenta antes da presidenta, então nem vem com piadinha infame, ok).

E o ONA....a gente posta uma foto nas redes sociais. E lá vem os cumprimentos de praxe: Tá bonitONA, ein? Pronto! De duas uma, ou estamos além dos quarenta ou estamos quilos acima dos modelos das semanas de moda. Ou o pior: os dois juntos!!!!!

Lá vamos para o espelho olhar se as rugas estão aparecendo demais, se os pneus e culotes estão tão visíveis, se os terríveis cabelos brancos teimam em aparecer altaneiros e espevitados. (sim, cabelo não basta ser branco, tem que se postar ereto como se 40 séculos de história estivessem ali para contemplá-lo).

Ideia imediata: regime de fome e academia. 

Mas ai!!!! Já se passou da idade de fazer sacrifícios para emagrecer. Já se está na idade em que comer se torna um dos maiores prazeres. Algumas vezes o único. Tá, não serei tão dramática. Talvez o apelo mais forte seja o bolso. Mais barato emagrecer que comprar todo um guarda roupa novo...

Academia? Circuitos, beber Whey ou seja lá como se chame. Tudo parece um código que não se domina. Ainda mais quando se detesta repetições, se tem ojeriza de esteiras e pensar em correr já dá calafrios. Melhor esquecer o elevador e subir escadas. Mesmo que se more no nono andar!

Não, opa. Não é bem assim. O tempo, o costume, sabe como é. O dedo vai no automático e a botoeira está ali mesmo. E como tirar a selfie do elevador se não anda nele? Melhor mesmo deixar o carro em casa e andar. Por sorte sempre tem algo que a gente gosta de fazer. Santo Pilates!   

E aí a gente já começa a achar o ONA mais simpático. Bonitona, gostona, queridona. Soa como um elogio com consistência. Melhor que o inha. Inha era do tempo em que a gente não se conhecia tanto. Não tinha domínio de nossas fraquezas. Domínio da força e das qualidades é fácil, baby. Vencer com o corpicho duro, seios eretos e com o talento natural é moleza. Quero ver levar adiante com o colágeno em queda, administrando as fraquezas (a gente não as vence, na maioria dos casos, a gente aprende a fazer delas aliadas). A gente aprende a se conhecer, a lidar com os nãos, com as perdas, com a proximidade do fim. E essa corrida ninguém vence. E aí a gente sabe que não importa a chegada, importa é ter fôlego para levar o circuito com um sorriso nos lábios e com prazer. Seja de tênis, rasteirinha ou salto alto.

E aí sim, chegamos a conclusão que sim, SOMOS todas fodas, como bem disse a amiga e inspiradora do nome do blog, a  Claudia Giane. 

E somos fodas porque sempre podemos mais.
Mulheres emponderadas Monica Crema
Monica Crema

sábado, 3 de outubro de 2015

Hoje só finjo ser boba #SQN


Hoje só finjo ser boba  #SQN

Confesso: sou boba sim. Sou ingênua, olho o mundo com jeito de Poliana. Tenho o incrível defeito de tentar enxergar o lado bom de tudo. Além de um capacidade empática que me faz entender o ponto de alheio. Às vezes ele se choca com o meu. Mas o meu lado bobona me faz meio desprotegida para ser fodona. Sabe aquele tipo que sou mais eu e o resto que se ferre? Pois é. Não sou assim. Para mim esse tipo ainda leva o nome de egoísmo por mais que as novas terapias e jeitos de ver o mundo o glorifiquem.

Perante nós mesmo todos fingimos ser mais ingênuos do que somos: é deste modo que descansamos dos nossos semelhantes. Friedrich Nietzsche
Mas e quando eu me flagro da bobice de ser boba, me desestabilizo. Desmorono.

Talvez, um lado interno grita, seja melhor crescer e ver o mundo de maneira mais pragmática. É uma selva, está aí para que a gente encontre a melhor maneira de sobreviver. A nossa maneira. Não importa o quanto custe ao outro.

Mas não. Minha bobice vai sempre gritar mais alto e me fazer querer ajudar, entender, compartilhar.

Quem sabe um dia eu aprenda a viver melhor. Até lá vou enxugando os espinhos, tomando café e seguindo em frente. 

Porque na ingenuidade tudo é de ordem emocional. Tudo. O que não acontece com as outras espécies de conhecimento onde tudo é de ordem intelectual. Na ordem intelectual é possível reatar um caminho que se rompeu. Na ordem emocional, uma vez roto o caminho, já nunca mais se encontrará sequer aquela ponta por onde se rompeu.

Almada Negreiros, in "Ensaios"

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Buscando no passado


Levei a sério a recomendação de não escrever com pressa. Aliás, ando em ritmo de slow way of life. Triste isso de se acostumar a falar expressões em inglês, mas fazer o que. Não dá para ter tanta xenofobia e sem apelar aos parcos conhecimentos da língua inglesa fico sem poder me comunicar na internet. E olhe que os meus conhecimentos se encolheram nos últimos anos. Tenho que
aprimorá-los urgentemente  !

Mas prosseguindo, além das recomendações da amiga que cronometrava as minhas refeições, fui ler um livro que ela me emprestou chamado : Autocuraterapia: Transformação Homeostática pelo tratamento independente de Tomio Kikuchi. E deu um clique ! Sabe como é quando essas coisas estalam na cabeça da gente, a gente assimila não só com a cabeça, mas com a vontade. E desde daí (deve fazer uma semana) estou comendo super devagar, mastigando bem. Nos primeiros dias acharam que eu estava comendo demais. Agora já se acostumaram. E como toda transformação nunca vem sozinha, também estou tentando um meio mais baiano de ser. Não que eu seja uma pessoa agitada, longe disso. Mas tenho um apressa-te bem saliente dentro de mim. E ainda adquiri um péssimo hábito com a internet de linha discada. Uma leitura dinâmica muita da vagabunda que só passava os olhos por cima e não se aprofundava na leitura... Estou tentando baixar umas leituras para me aprimorar um pouco. E agora pretendo focar um pouco mais. Estudar um tema por semana já seria de bom tamanho. Mas preciso ao mesmo tempo dar um trato no Tico e no Teco para que eles assimilem mais o que leem...

Sabes que essa opção por tratamentos mais naturais aos olhos de terapias orientais e uma visão mais ampla e ecológica das questões da vida nos levam a adotar escolhas que são subversivas aos nossos padrões consumistas. A gente diminui o leque de opções no super e paulatinamente passa a adotar feiras alternativas de produtores que não usem agrotóxicos. Como tende a não adoecer tanto, não toma tantos remédios e não abastece a indústria farmacêutica. E como fica mais leve, acaba por não consumir violência e encontra mais tempo para ler. E consequentemente tende a elaborar uma forma mais independente de  pensamento. Tudo o que o status quo não quer. Este alimenta nas pessoas uma pretensa rebeldia de usos e costumes que cria tribos de comportamento semelhante, ao invés de indivíduos aptos a trocarem especifidades.

Perdi o Capra ! E olhe que comecei a ler o cara em 87. Ponto de Mutação. Na época, ainda era uma grande novidade e fechou com tanta coisa que acreditava. Ou sabia inconscientemente. E me parece um caminho natural se chegar a uma consciência de mundo mais integrada, mais holística se se percorre a trajetória que o Capra percorreu. Um mundo interligado e mutável, dinâmico e vivo. Quer exemplo maior do que a internet, pura. Não que a tenta ser controlada, mas a que possibilita esse contato inimaginável entre bilhões de seres humanos em toda a terra, em tempo real ? Vivemos uma transformação que não podemos dimensionar. Mas podemos vivenciar. E saber que mais pessoas pensam como nós. Ou quase. Que, como diria o Chico: não es lo mismo, pero és (casi) igual. 


Beijos

Elenara (2006 - resgatando antigos emails. É um bom exercício de ver conseguimos manter a coerência)