domingo, 27 de setembro de 2015

E a filosofia, quem diria, começou no fogão

Monica Crema

Já sentiram aqueles momentos em que a energia parece ter chegado ao nível mínimo de sobrevivência? Como o carro que está na última gota? Aquele momento, não patológico, onde tudo o que se precisa é parar em algo, alguém, qualquer coisa que nos recarregue já que nem no tranco pegamos mais.

Estava assim semana passada. No limite do limite. Não é muito comum que eu chegue a tanto. Em geral antes disso eu consigo reagir, me puxo de alguma maneira e levanto.

Esse alguma maneira quase sempre envolve criatividade. Escrever em geral é certeiro. 

E hoje, lendo o jornal, sobre "o que o nosso cérebro faz por nós", achei um dado interessante. Ali diz que uma das teorias que talvez expliquem o nosso maior potencial cognitivo seja a ideia de nossos ancestrais de cozinharem o que comiam.

Como assim? Nossa imensa tecnologia e nossa civilização moderna se devem à comida???? E ao fogão??? E eu achando que a maior invenção tinha sido a roda.

Pois o artigo diz que o tempo que o cérebro levava para administrar a comilança dos crus internamente foi muito diminuído com a ingestão de alimentos cozidos. E esse tempo pode ser melhor aproveitado em outras tarefas mais "nobres". Falar e filosofar, por exemplo.

Achei que tinha lógica. 

Eu mesma (baita redundância, eu seria quem mais????) gasto um tempo e energia imensos minhocando neuras internas. Essa energia vai sendo gasta em intermináveis diálogos e DRs de mim para mim. E também na administração do que sou obrigada a fazer e que não me é natural.

Ah! Se ao invés de fazer isso, eu achasse um "fogão" que cozinhasse as neuras seria mais feliz! (sim, já fiz terapias. Sim, me analiso. Não, não tomo tarjas pretas)

Meu fogão salvador, por enquanto, se chama falar com alguém que escute e receber muitos abraços. Tem ajudado.

E vocês? Cozinham como?  

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Pitacos de elegância

Cada vez mais me convenço que elegância tem a ver com atitude, personalidade e simplicidade.

Tudo o que vemos na mocinha acima. Aliás considerada um dos símbolos da elegância no século XX em nossa cultura ocidental. Audrey era elegante de Givenchy ou Dior. E também era elegante de sapatilhas e roupa preta. Ela era.

Pessoas que são. Gosto. 

Mas como assim? Tem gente over. São elegantes? Para mim são. E aí cabe uma ressalva: o que em mim pode ser elegante, em outra pessoa não. E vice versa. E demais a mais, roupa é acessório. A elegância mora dentro de nós.

A minha, por exemplo. Não passa por muitas compras. De roupas jamais. Mas quando compro gosto de coisas boas. E clássicas. Duas razões: coisas com qualidade são em geral mais duráveis. E as clássicas também. 

As estampas cansam. Acho lindas, mas não dá para repetir toda hora. Senão pelos outros, por mim que detesto muita repetição. Mas uma calça de alfaiataria ou um jeans e uma blusa lisa podem ser repetidos e repetidos, com a inclusão de acessórios diferentes. Resultado: parece que a gente tem muita roupa e sempre está bem vestido. Para mim, melhor o menos. Sempre.

Um cabelo bem cortado e um bom sapato levantam qualquer pretinho básico. Mas não há nada que ilumine mais o rosto de uma mulher que um belo sorriso. Se for seguido de simpatia, gentileza e educação então, a tornam estonteante. Homens também.

Listras e floreados. Dá para misturar? Dá sim. Com bom senso. Apesar da Adriana detestar o bom senso, ele ajuda bastante na vida. Até ela anda com um look mais comportado nos últimos tempos. Bom senso?  

Outra coisa que ajuda muito é estar em harmonia consigo. Pessoas harmônicas se cuidam. Não comem por compulsão. Não descuidam do corpo/mente. Pessoas harmônicas se amam. E pessoas que se amam são generosas consigo e com o mundo.

Generosidade é o supra sumo da elegância. Saber ouvir com atenção. Reter a tentação de dar pitacos a torto e a direito sobre o problema dos outros. Ensinar, abrir espaço, compartilhar. Compreender que ter personalidade NÃO é sinônimo de grossura ou egoísmo. 

Gente elegante chora. Sorri. Se doa. E até puteia. Tudo com verdade e na hora certa. Para a pessoa certa. Não fica ruminando pelas costas. Não trama mesquinharias. 

Nada mais deselegante que gente mesquinha.

Burrice também não rima com elegância. Burro não é quem desconhece algo. Burro é quem não busca conhecer. Quem se aferra às suas verdades como dogmas absolutos. 

Elegante é reconhecer quando se está errado. Elegante é ter bom humor e saber rir de si mesmo. Elegante é saber manter o brilho no olhar. É saber ser responsável pelo que escolhe. E pelo que vive.

Tem receita essa tal de elegância? Não creio. Ou por outra, ela talvez se encontre dentro de cada um de nós. Pronta para ser descoberta.


    

domingo, 20 de setembro de 2015

Aleatoriedades

Aleatoriedade.

Gosto dela. Sempre usei essa coisa de ir à biblioteca, pegar um livro ao acaso e ler uma frase. E imaginar que ela me traz uma mensagem direta. 

Como assim??? O Universo agindo por sinais, uma energia inteligente que age? Ou o acaso sendo canal de meu próprio olhar?

Já falei sobre isso em Intuição e/ou energia - experiências e Sincronicidade, viagens e aprendizados

 A palavra aleatoriedade é utilizada para exprimir quebra de ordem, propósito, causa, ou imprevisibilidade em uma terminologia não científica. Um processo aleatório é o processo repetitivo cujo resultado não descreve um padrão determinístico, mas segue uma distribuição de probabilidade(fonte)
Um padrão é uma forma cômoda de seguir a vida. Tendemos a fazer os nossos e nos recolhemos à eles como fazemos com chinelos velhos e gostosos. Nos dão segurança. Sabemos que funcionam. 

Funcionam? Até por aí. Funcionaram. Funcionam hoje de alguma maneira....

MAS
Não seria interessante ver de um outro jeito???? Com outro olhar??? E não é que a aleatoriedade nos ajuda (e muito) nessa tarefa.

Fazendo o desafio lá da imagem, pego um livro, abro na página 63 e leio:

O que não fui capaz de escrever terá que ser perdido. Não dá mais para voltar atrás. Só o presente me interessa. O humor presente é tudo para mim. (Anais Nin - Fogo)
Talvez explique a apatia de escrever que tem me acometido. Talvez minhas certezas e verdades que me impeliam a jorrar para fora estejam em novas ebulições. O presente me espera. O que me trará não sei. Talvez a coragem de me abrir ao novo. 

sábado, 19 de setembro de 2015

O que a maturidade me ensinou

maturidade
FONTE
Maturidade. Aquela palavra que define quando chegamos a um equilíbrio entre coração e razão. 

O coração é o pé no chão, é o que brota de dentro quando marcamos território. É meu e foda-se o resto.

Quanto começamos a mensurar o sentido do foda-se e principalmente se estamos preparados para pagar o preço e a partir daí definimos nossas escolhas, conscientes e com responsabilidade, podemos dizer que estamos começando a ficar maduros.  

Mas então cara pálida (e sim, estou branca pra caramba, falta de sol, etc, etc) essa tal da maturidade é um pé no saco. Não. Absolutamente. Apenas te faz uma pessoa e não uma criança birrenta.

Um exemplo pessoal que lembro até hoje. Sou solteira até hoje por ene razões. Agora já desencanaram de me cobrar. Menos minha mãe. Mas enfim, houve épocas piores. Pelos meus vinte e poucos anos, uma senhora que gostava muito e que já se foi, me perguntou se não pensava em me casar. E eu, na arrogância natural da idade, disparei uma frase: "Enquanto não tiver condições financeiras de tirar um moço de família de casa e lhe dar boas condições de vida, não casarei". Ela ficou muda. E eu orgulhosa da minha pretensa esperteza. 

Hoje, olhando e repensando o passado, vejo que fui apenas grossa. Se a resposta fosse para uma jovem como eu, talvez até coubesse. Mas ela não me queria mal. Apenas replicava seu modo de pensar. Hoje responderia diferente. Mais madura creio. 
maturidade
FONTE
Mas isso não tem a ver só com idade. Conheço gente madura aos vinte. E imatura aos quarenta. Admiro os equilibrados. Os que conseguem equilibrar as loucuras que o coração pede com as ponderações de como lidar com elas.

Sim, há loucuras que a gente só faz com maturidade. E se tem uma coisa que aprendi é que quanto mais o tempo passa, mais as pessoas se aproximam do essencial para elas. Pessoas de mais idade que mandam às favas as convenções e só convidam quem querem para suas festas. Mesmo que signifique não chamar irmãos, vizinhos ou chefes. Acho isso uma conquista de vida. 

Compreender as suas necessidades. Se gosta de festa, se gosta de ficar na sua. Enfim, maturidade tem a ver com aceitação de si. E a sutil compreensão que essa aceitação não precisa ser imposta aos outros por atitudes e/ou palavras.

Basta ser. E estar em paz consigo.
maturidade
FONTE