segunda-feira, 20 de julho de 2015

Imaginação

Imaginação.

Sim, mulheres imaginam. E isso faz muita diferença. 

Como imaginar que não vai haver sempre uma DR na vida de uma mulher. Afinal elas imaginam.

Tudo.

Mesmo o que você não fez. Mas queria fazer. Elas sabem.

Me lembro da minha imaginação. Primeira de mulher que nascia. 

Além dos olhares para alguns coleguinhas de escola e paixões platônicas por artistas de série de sci fi na TV, minha experiência com o sexo oposto era nula.

Tinha doze anos. E imaginava.

Mas tinha amigas que não. Elas faziam! Falavam de beijo na boca. Mas não um qualquer: beijo de língua! Era o máximo da ousadia nos idos de 70. Acho eu. Na minha imaginação.

Era época de liberdade sexual, mulheres já tinham queimado o sutiã - e eu queria muito não ter peitos para não ter que usá-los. Nunca mais.  

A pílula tinha chegado, trazendo uma possibilidade nunca antes vivida pelas mulheres. Não sem muitos cuidados e sustos.

E eu ainda não tinha beijado. E nem iria pelos próximos seis ou sete anos. Mas já tinha ouvido a colega falando da sua experiência. Beijo de língua!
Isso acirrou minha imaginação. 

Escrevia histórias de amor. Imaginava situações. Criava. criava. criava....

Muitos anos depois, já passada pelo primeiro beijo (Que foi bom. Tecnicamente bom. Mas não enebriante....) um namorado, sobre meu terceiro ou quarto beijo na vida, me disse que eu beijava muito bem, que devia ter muita experiência. 

Aí aprendi que não, homens não tem imaginação.  
  
Frida colorida
Frida imaginativa

domingo, 19 de julho de 2015

Pica minha alma

Sem explicações

Não para a vida
Não para a morte
Para esse tempo que machuca
Para essa espera angústia

Não para essa porra
Que ensinam como certo
Que enfiam goela abaixo
Manual de ser certo

Não para o medo presente
Não para o futuro brilhante
Não para o passado humilhante
Não para tudo que cansa

Não, mil vezes não.
Chega da boa mocice
Basta da auto ajuda viciada
Da vida queria apenas
Que passasse assim tão ligeira
Sem pergunta
Sem cobrança
Apenas coisa molenga
Das que viram presença
Das que nunca cansam

Elenara Leitao


Farol me guia




Borrasquento 
Lascivo jorro
Choro
Grito
Morro

Acordo luz
Teu farol em mim
Acende rotas
Acena caminhos
Aponta 

Sigo


Acordo molhada
Envergonhada 
Mentira
Apenas cansada


Chove miúda bruma
Cai em mim
Teu pranto brusco
Adormeço
Sonho
Busco quimeras
Acordo realidades

Elenara Leitão

domingo, 5 de julho de 2015

Sonho contigo

Sonho contigo.

Repetidas vezes.

Não sei explicar porque, se fizeste parte de minha vida, foi há muito tempo atrás.

Tempo demais. No tempo em que meus olhos eram de esperança e minhas carnes mais firmes.

Lembro da primeira vez que te vi. Lembro da emoção de dançar contigo. 

Mas não, não lembro do primeiro beijo. Gozado, só fui me dar conta disso agora. Talvez não tenha importância. 

Enfim. A vida nos juntou algumas vezes. Nos separou outras.
Nos separamos. Não era para ser.

Não foi doído. (Minto, foi sim. Mas foi elaborado. E deixou de doer)
Mas mesmo assim, sonho contigo.

Não é sempre. Não, não pense que é recaída juvenil. Apenas sonho contigo. E é bom.

Dizem que o sonho revela desejos ocultos. Pode ser.

Dizem que podem revelar muito de nós. Até acredito.

Não me debrucei para pensar a respeito. Não quero. Apenas gosto da sensação boa que o sonhar contigo me dá.

Me sinto mais próxima daquela menina de olhos esperançosos.

Talvez por isso continue a sonhar contigo. De vez em quando.

sábado, 4 de julho de 2015

Ponto sem fim

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O silêncio que mora em mim


Há uma rua que me inspira. As vezes me bate um branco, desses que embotam alma e mente. Mas basta caminhar por essa rua que as palavras vem à mente. E tão facilmente que parece magia. 

Sim, há uma rua que me inspira. Nela eu me sinto não diferente, não especial, apenas nela eu sinto.

Já escrevi postagens inteiras. Já concebi poemas. Todos geniais. Palavras que rimam, ideias que saem redondas. Todas na minha cabeça. 

Delas poucas vezes consegui transferir para a realidade. Nunca me lembro de levar um gravador, de usár o do celular, de escrever as ideias brilhantes que saem aos borbotões. A rua que me inspira passa a ser cúmplice de momentos de entrega. 

E a inspiração que mora em mim? Ela mora no silêncio e na bruma de meus sonhos, nas coisas que vejo, as que ouço. Nas elaborações que traço. Talvez se revele apenas nos momentos em que não penso, naqueles em que apenas passe solitária pela rua que me inspira. 
 
Entender como? E precisa? O que tem que sair sairá quando for a hora. Até lá, escutar a voz que mora em meu silêncio. E imaginar que cada pessoa que passa ao meu lado deve também imaginar universos. Talvez sejam ilhas no meio de um oceano à espera de navios ou nuvens que as unam ao impensado. Talvez apenas sejam confusão. Talvez juntas formem coesão. Talvez. A vida é um eterno talvez.