sábado, 25 de abril de 2015

Por obséquio, seja elegante no dia a dia


Uma das coisas que mais me chamam a atenção no comportamento de uma pessoa é como ela trata todas as pessoas. Cotidianamente. Não apenas o chefe ou o cliente importante. Não o recém encanto  ou alguém que se quer conquistar. Quando falo de todos, estou falando do porteiro, do motorista, da recepcionista, do garçom. Do vizinho de porta e do tio ou tia mais velhos.

Você pode estar vestido de grifes da cabeça aos pés, ter feito cursos de etiqueta ou se sentir o último ícone do estilo. Se isso não se refletir no seu comportamento com as pessoas, sinto lhe informar, mas você é extremamente deselegante.

Admiro profundamente quem inicia um pedido com um por favor ou por obséquio. E não importa que se peça um favor realmente, ou se esteja dando uma ordem. O por favor abre portas, revela o quanto você valoriza a pessoa na sua frente. Um muito obrigado/a no final faz uma dupla fascinante.

Isso que estou dizendo é meio óbvio. Nem deveria fazer parte de uma postagem. Sorrir e dizer bom dia a quem passa por nós. Levantar e oferecer o lugar para pessoas mais velhas e/ou com problemas de locomoção. Argradecer um carinho, uma boa vontade alheia. Isso se chama educação. E por mais que tenham lhe dito algo em contrário, isso não saiu da moda não. Ao contrário, se você precisa passar por cima disso para se impor, coitado. Você, além de não ter confiança no seu taco, não aprendeu nada na vida. 

Assim, por obséquio, seja mais elegante daqui em diante. Sorria para o mundo e agradeça. No fundo, no fundo, quem vai ganhar é você mesmo. 


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Nome diferente. A dor e a delícia que é

 Nome da gente. Tão importante que as empresas estão usando como estratégia de marketing e de aproximação. Banco do Fulano, latinha do Beltrano. E todos encantados com a personalização, deixando de ser um zé ninguém da multidão para ser um Alguém especificado.

Todos? Não. Quem tem nome diferente não. Mas tem que ser diferente mesmo. Daqueles que as pessoas não sabem pronunciar. Que sempre te chama por algo vagamente semelhante. Tipo genérico, sabe. É quase isso. Mas não é. 
Chamada da escola. Nunca acertaram. Colegas, amigos, clientes. Cartas. Nunca um Elenara. Normal. Simples. Não. Eram os EleOnOra, Elionara, Lenara, EleMara. Parece brincadeira já que hoje, olhando friamente, nem acho meu nome assim tão diferente. Mas ele não me representava, sei lá. Era estranho. Tão estranho que nunca gostava que me chamassem pelo nome. E paradoxalmente nunca tive apelidos. E consequentemente nunca chamo as pessoas pelo nome. Pelo menos não quando falo com elas. Nunca chamei amores pelos seus nomes. Quando me me chamavam pelo meu, sentia um arrepio esquisito. Era como se fosse algo isolado, estivessem chamando outra pessoa. Era como se o meu nome não fizesse parte de minha alma. 
Crescimento e terapias me fizeram aceitar. E gostar. Aprendi a reconhecer a personalidade do meu nome. Me acostumei a ele. Hoje não consigo me ver com outro. Mas confesso que foi um processo meio longo. E ainda continuo não chamando ninguém pelo nome. Ainda sinto o arrepio quando me chamam por ele. Aceitação é diferente de se apaixonar. Que fique bem claro. 

Mas e como ele veio a mim? Não existiam heroínas de livros com esse nome. Não está na Bíblia. Não tinham parentes na família com esse nome. Tudo bem que minha mãe se chama Helena e minha avó Estelita. Mas mesmo assim não justificaria. Ah! Mas tem uma história e é bem bacana.

Quando minha mãe engravidou na vetusta idade de 32 anos, ela e meu pai já tinham uma vida e família estabelecidos. Eram quatro. Eles e meus dois irmãos. Eu fui pedida, implorada. Meu irmão chegou a ir no zoo falar com a cegonha (sim, ele ainda acreditava nela) para pedir um irmãozinho. Minha mãe se rendeu. Resultado: uma bebezinha loira e robusta, nascida em quarto na penumbra, com música e pai no quarto da maternidade. Gente, era 1957! Isso era revolucionário!

E agora? Que nome teria essa pimpolha? Pois foi escolhido de forma bem democrática. Em um sorteio familiar. Cada um colocou o seu escolhido em papéis e alguém sorteou (nunca perguntei quem....). Quem ganhou? Meu irmão, o do zoo. Tinha oito anos na época e achava linda uma menina da cidade de meu pai. Acho que só a via nas férias. Ou devia ser amiga dele, não sei. A Elenara original. Será que ela também passou pelas dores e delícias de ter um nome diferente? De onde será que veio o nome dela? Nunca cheguei a saber. Talvez nunca saiba. 

E o seu nome? Como foi escolhido? Ele tem a ver com você? Conta aqui prá gente. 


Esta postagem faz parte do projeto 52/52 que faz parte de um resgate da memória. Quer ver como é? AQUI

terça-feira, 21 de abril de 2015

Qual a minha IPSEIDADE?



Estava lendo uma crônica hoje. A do Carpinejar. Ele falava dele e do outro. O interno, o Fabrício. E das diferenças entre eles. Um forte e audaz. Outro tímido e sensível. 

Me peguei pensando em quantas vezes o olhar dos outros sobre mim me causa estranheza. Essa Elenara de fora, essa que tantos louvam como forte e guerreira, tão exemplar e altaneira. Essa me é tão desconhecida tantas e tantas vezes. 

Ah, se soubessem que atrás dela mora uma menina assustada e com medo das pessoas. Não confundam a que cria com a que se esconde. Tantas facetas me residem que nem sei direito qual delas na verdade sou eu. 

Aquela tão frágil a que me apego para ter, talvez a desculpa, para então me refugiar no meu mundo interno. Do qual, aliás, essa Elenara nunca teve vontade de sair.


Mas e as outras? As que vão em frente, apesar do medo. A que veste um salto alto e coloca um batom vermelho fingindo uma sedução que lhe é muito mais familiar de rosto limpo? A que é moleca e conta piada infame, fala palavrão e subverte? 


Quais das Elenaras que moram em mim e que mal se conhecem? Ou as que são velhas amigas, das que contam besteiras juntas e escondem as falhas das outras?


Uma Elenara mãe que acalenta e pega no colo a Elenara menina. A profissional que é pragmática e responsável e que repreende com veemência a Elenara baldosa, que procrastina e deixa prá lá. 

   
O Carpinejar tinha na crônica duas facetas. Dois lados seus.


Eu me divido em múltiplas. Deve ser minha lua em gêmeos. Sim! Tem a mística Elenara, que já leu cartas ciganas e estudou astrologia. E que os amigos chamavam de farra de Zora Elenara, lembrando a astróloga famosa.


Tem a que se apaixona e vira gueixa. A que chora e se acha bobona. Tem a que diz não sem pudor. Tem a que joga o pudor ao longe.


Tem a que brada bandeiras. Tem a que descrê.


Todas elas tem em comum um quê. isso até eu reconheço. Talvez a minha verdadeira IPSEIDADE seja enfim, a elegância de ser todas e com elas conviver em harmonia.Ou quase.

sábado, 4 de abril de 2015

Ausência de um tempo feliz

Se há algo que ainda nos une como ser humanos é a certeza da finitude. 
E dentro dessa perspectiva da morte, o que talvez mais nos abata seja a falta das pessoas que amamos.
Não importa se em palácios de governo ou nas favelas mais pobres, perder alguém que nos importa, é facada no peito. É dor doída, é grito imenso.
Há mortes e mortes. Há mortes que vem ao fim de uma longa vida. E aí todos vem em grupo dizendo: viveu bastante, né. E a gente concorda tentando se consolar. Como se vida fosse contada em anos ou tivesse uma métrica para mensurar a falta.
Há mortes que vem mais cedo, mas são consequência de escolhas. Morreu fazendo o que gostava. Viveu 10 anos a mil. Também são desculpas que fazemos a nós mesmos. Talvez funcionem na nossa mente mais pragmática. A que tenta raciocinar. Embora o cérebro límbico, a humana paixão não se deixe enganar por elas.
Há mortes sem sentido. Mortes de quem nem teve chance de escolher. Mortes por estar no local errado, na hora errada. Por ter nascido em lá e não aqui.
Nenhuma afinal tem dimensão. Nenhuma é mensurável.
Morte é doida sempre. Ponto final.
Traz saudade.
Traz ausência. 
Ausência de um tempo feliz.
Um tempo com para quem vive hoje um tempo sem.
E aí entram as lembranças. Doces mas melancólicas. 
Sinto isso vendo um vídeo lindo. Beleza sempre foi uma coisa que aprendi com ele.
Sinto isso com tecnologia. Um celular novo que fala comigo. Como ele ia amar isso! Chego a escutar sua voz de surpresa e curiosidade.
Sinto isso ao comer uma comida boa, ao tomar um bom vinho. Hedonista na vida, ele fez o que o seu coração mandava. E sempre pensou nas pessoas que amava.
Sinto isso ao receber bem. Ele que sempre foi anfitrião e adorava ajudar.
Sinto isso ao chorar de saudades. Ele que sempre se emocionava e chorava também.
Não, a dor de perder alguém que se ama não é maior ou menor para ninguém. Amor é amor. É ainda o que nos faz apenas o que somos. Humanos. 
Que saibamos honrar nossos mortos sendo menos mesquinhos e mais generosos. 
E talvez assim, um pouquinho deles esteja dentro de nós. Para sempre.