segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Soft pornô x literatura erótica feminina

A literatura erótica feminina é tabu desde sempre. Ou desde milênios. Mulheres como Safo que ousaram escrever seus desejos ficaram marcadas por adjetivos que as excluíam das normais.

Aliás essa separação entre as mulheres normais, as que curtem sexo, mas com moderação, com as outras, as que curtem sexo sem moderação também recebe uma desqualificação. As segundas são chamadas de ninfomaníacas. E isso é encarado como doença. Não bastasse ser chamada de galinha e puta - o maior xingamento que a sociedade dá para as mulheres que não se enquadram em suas regras, ainda tem que encarar uma etiqueta de anormal. 

Olhando por esse ângulo é óbvio que poucas mulheres se dedicassem a escrever sobre o sexo. Abertamente. Muitas e muitas fizeram e fazem isso de maneira discreta. Guardam para si, mostram para o amante da hora ( se tem coragem), escrevem sob pseudônimos. 

Mesmo hoje, com toda a liberdade que muitas mulheres dispõem, de ser e ousar, ainda pesam sobre elas séculos e milênios de poderias e deverias. Não? Vai dizer que muitas não se questionaram se suas liberdades valem mais que o casamento da amiga da mesma idade? Quem não é criada para ser a princesa de um conto de fadas, mesmo que lhe digam que vai ter que batalhar junto com o príncipe para manter o castelo? 

Sendo assim, não é de espantar que o soft pornô faça sucesso. Mulher sempre gostou de uma sacanagem com história. Homem é visual. Mulher é sensorial. Ponto.

Mulher se aquece com uma olhada. Mas um suspiro errado, um som fora de hora, um pensamento fugidio brocha. 99,9% das mulheres sabem disso. E depois que brochou, é foda. Ou não é. 100% de a homens devem entender isso.


Mulher gosta sim de ler um pornô. Soft pode ser a palavra. Bem escrito seria mais adequado. Mulher gosta das coisas bem feitas. Já nasceu com noção de qualidade. Talvez questão biológica já que dela depende primordialmente os novos produtos que levarão a humanidade em frente.

Mulher gosta sim de escrever sobre sexo, de imaginar e de fazer. Ao seu modo e com quem queira. Sem precisar dar satisfação a ninguém, a não ser a ela mesma. Ou ao seu parceiro ou parceira. Se ela sentir que isso é bem bom.

Então menos repressão e mais liberdade. A verdadeira. Aquela que vem de dentro de cada um. E sejam felizes, por favor! 

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