sábado, 28 de fevereiro de 2015

Na prática, a teoria é outra

Perdida no tempo e no meio de objetivos e metas acabo por não administrar o tempo como deveria. 

Deveria mesmo ? 

Esses manuais do que se deveria fazer para: ser feliz, ter sucesso, emagrecer, etc, vendem receitinhas prontas que nunca dão um bolo que a gente imagina quando os pega. 

Na verdade não existem receitas certas. 

Se existissem seríamos todos maravilhosos e amaríamos a pessoa certa para nós. E quem disse que não os somos e que aquela complicada personalidade que faz o nosso coração bater tão forte, não é mesmo o mais certo para a nossa alma desvendar naquele momento específico ? Afinal já dizia com muita precisão o Fernando Pessoa que "navegar é preciso, viver não é preciso", versos que não entendia de todo até alguém me fazer entender que preciso tem justamente a ver com precisão (de traçar uma rota e precisar de mapas, por exemplo). 

Por mais que tentemos fazer roteiros pré -estabelecidos para a nossa vida, ela nos arremete com suas paixões, incertezas e surpresas. E que bom que assim seja, já que a rotina nos é eternamente entediante. A não ser que adquiramos a sabedoria de vivê-la sem precisão, sem rigidezes ou normas estabelecidas. 

Se ontem era assim, hoje pode muito bem ser assado. Ou vice versa. 

Ou não.    

(Texto de antanho - do meu primeiro blog comentários cotidianos mas que ainda reflete o que penso. )

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Almar

Haicai

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O passado do futuro é hoje

Sempre fui fissurada nessa coisa de voltar ao passado. Um dos filmes que mais gostava era Somewhere in Time sobre um amor que era maior que o tempo.

Mas tem um componente nessa ideia de voltar ao passado que é maior que o próprio achar um grande amor. E se a gente pudesse rever e transformar o nosso próprio afazer? Mudar nossa história revendo nossas escolhas? 

Talvez por isso tenha gostado tanto de um filme que vi nesse ano - Questão de Tempo. E tenha ficado apaixonada pela série Being Erica que já devorei quase uma temporada em um dia. Seja na saga dos homens da família que podiam reescrever as suas vidas, seja nas escolhas que Erica pode rever e também mudar, existe aquilo que todos nós em suma talvez gostássemos. Poder voltar, sabendo o que sabemos hoje. 

Mas...

O passado do nosso futuro é hoje. E se tem algo que a minha resiliência me ensinou é que um dia passa o outro. E nós sobrevivemos. Se não tão bem em algum dia, podemos mudar o foco hoje. Seja para fazer melhor em nós mesmos, seja para dizer o que não dissemos, seja para viver mais.

Mudar o foco. Maravilha! Mas como conseguir isso naqueles dias em que nada parece fazer sentido? 

Cansada da labuta
Ora direis, vá olhar estrelas
Melhor tomar cicuta 

Tem horas em que a vontade de tomar cicuta, sumir do mundo, se deixar levar pelo desânimo e tristeza é maior que a auto vontade. Já passei por isso. Todos já passamos. Uns melhor, outros com mais dor. Alguns sem atinar a solução. 

Talvez aceitar que somos humanos nessa hora. Não príncipes nem princesas. Não super pessoas. Apenas humanos. Erramos. Nem sempre nossos acertos são vistos assim pelo mundo. Se até Van Gohg morreu pobre e sem que quase ninguém entendesse a sua arte....

Humanos erram. Humanos choram. Humanos pedem ajuda. Humanos se emputecem. E humanos aprendem. E crescem.

Então pensando melhor ainda, se não fossem esses erros que cometemos e nos fazem refletir, não seríamos as pessoas de hoje, as que tem as respostas para os erros que poderiam corrigir se soubessem disso. 

Hoje sabemos. Hoje é a resposta. Hoje é o tempo certo. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Soft pornô x literatura erótica feminina

A literatura erótica feminina é tabu desde sempre. Ou desde milênios. Mulheres como Safo que ousaram escrever seus desejos ficaram marcadas por adjetivos que as excluíam das normais.

Aliás essa separação entre as mulheres normais, as que curtem sexo, mas com moderação, com as outras, as que curtem sexo sem moderação também recebe uma desqualificação. As segundas são chamadas de ninfomaníacas. E isso é encarado como doença. Não bastasse ser chamada de galinha e puta - o maior xingamento que a sociedade dá para as mulheres que não se enquadram em suas regras, ainda tem que encarar uma etiqueta de anormal. 

Olhando por esse ângulo é óbvio que poucas mulheres se dedicassem a escrever sobre o sexo. Abertamente. Muitas e muitas fizeram e fazem isso de maneira discreta. Guardam para si, mostram para o amante da hora ( se tem coragem), escrevem sob pseudônimos. 

Mesmo hoje, com toda a liberdade que muitas mulheres dispõem, de ser e ousar, ainda pesam sobre elas séculos e milênios de poderias e deverias. Não? Vai dizer que muitas não se questionaram se suas liberdades valem mais que o casamento da amiga da mesma idade? Quem não é criada para ser a princesa de um conto de fadas, mesmo que lhe digam que vai ter que batalhar junto com o príncipe para manter o castelo? 

Sendo assim, não é de espantar que o soft pornô faça sucesso. Mulher sempre gostou de uma sacanagem com história. Homem é visual. Mulher é sensorial. Ponto.

Mulher se aquece com uma olhada. Mas um suspiro errado, um som fora de hora, um pensamento fugidio brocha. 99,9% das mulheres sabem disso. E depois que brochou, é foda. Ou não é. 100% de a homens devem entender isso.


Mulher gosta sim de ler um pornô. Soft pode ser a palavra. Bem escrito seria mais adequado. Mulher gosta das coisas bem feitas. Já nasceu com noção de qualidade. Talvez questão biológica já que dela depende primordialmente os novos produtos que levarão a humanidade em frente.

Mulher gosta sim de escrever sobre sexo, de imaginar e de fazer. Ao seu modo e com quem queira. Sem precisar dar satisfação a ninguém, a não ser a ela mesma. Ou ao seu parceiro ou parceira. Se ela sentir que isso é bem bom.

Então menos repressão e mais liberdade. A verdadeira. Aquela que vem de dentro de cada um. E sejam felizes, por favor! 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Imperfeições com elegância

Escrever exige um foco específico. Não basta sentar e as ideias fluírem. Para que isso aconteça é preciso uma bagagem anterior. Ela pode ser feita de experiências de vida, boas leituras, um certo grau de análise e uma capacidade de comunicação e síntese. 

Perfeita fórmula! 

O complicado é quando um ou mais desses quesitos não fazem parte de sua vida cotidiana nesses últimos tempos.

Livros começados e não terminados. Vida reclusa. Cabeça desfocada. E cadê a inspiração para os deliciosos textos que todos vão ler e te julgar uma pessoa simplesmente genial e merecedora de likes e curtidas? 
Sem perfeição, existe vida? Para certos segmentos de vida virtual não. Para alguns da vida real também não. Mas se formos pensar o que é a vida de verdade? A vida com elegância e que vai passar na nossa frente em momentos de urgência? 

Pausa para lembrar de um acidente de carro. Uma curva, um vento a mais. Um cinto segurando a gente enquanto vidros vão se quebrando e a vida passa como se fosse um trailer com flashes de momentos. Sim, já vivi isso. E sobrevivi. Com poucos arranhões. 

Então como compartilhar uma vida que não é um filme de aventuras? Sem viagens glamourosas, sem filhos, sem conquistas bombásticas? Talvez mostrando aquilo que nem todos queremos na vitrine. O que em nós não é brilhante, o que nos custa fazer. Nossas imperfeições. Nossos defeitos. Nosso lado mais cinza, mas que forma um conjunto que resulta em harmonia.

Será que o medo das pessoas que tanto me acompanha, não me ajudou a compreender medos alheios? Será que não ser tão popular, não me fez mais voltada a me compreender e a trabalhar em mim? Foram os momentos em que superei os defeitos, em que fui em frente apesar dos medos, foram esses em que cresci. 

As vitórias, as coisas boas, foram momentos gostosos, mas as superações foram inesquecíveis. 

Assim, que tal assimilar as imperfeições e aceitá-las como componentes seus. Únicos. E conviver com  eles, mesmo que brigando para superá-los mutas vezes. 

Viver a vida com imperfeições e ser elegantemente consciente e generosa para transformá-las em pontos de diferenciação e impulsão de crescimento. Gol! 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Poetando pela vida



Início de ano de desafios. Me dei de presente fazer algo diferente. Algo inusitado. Uma Oficina de versos. Não qualquer tipo de verso. Versos em fogo. 

O que seriam versos em fogo? Foi o que seis mulheres se dispuseram a descobrir e a exercitar em quatro terças a tarde. Escritoras, advogadas, psicólogas, dentista. E a arquiteta aqui. Deixar a imaginação fluir, soltar a sensualidade, fazer versos eroticos. 

Eroticos? As belas da tarde ungidas pela poeta Paula Taitelbaum riram, enfrentaram o fazer versos em minutos. Sonetos, haicais. E o mais bacana, deixando soltar as amarras, aprendendo a focar e instigar a visão. De cara uma constatação. Meu vocabulário erótico pornografico é muito pequeno....outra constatação foi que não podia falar para qualquer um o que estava fazendo. Imaginem os olhares. Não, a escrita erótica feminina está longe de ser corriqueira. Ainda mais para mulheres "normais". Esse normais é pura ironia, tá ( tristes tempos em que se tem que sublinhar e desenhar tudo).

Enfim. Minha produção foi grande. Confesso que me diverti muito. Aprendi a escrever com a imaginação. Aprendi a brincar com as palavras. Ainda estou pensando no que vou fazer com os versos mais quentes. Aqui não posso colocar, este blog é aberto. Então, deixo com vocês um simples exercício de poetar. 

No fim do dia
Sofria
Sorria
Pensava no que seria
Da vida
Da lida
Do tanto que podia
Sentia
Poderia
Quem sabe um dia
Anoitecia
Amanhecia
E a rima acabava
E restava a vida
Sem poesia

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Elegante é não se cobrar tanto

Adolescer com quilinhos a mais me trouxe um ônus em termos de cobrança pessoal. Por minha própria natureza já sou uma pessoa crítica. Não estar dentro dos padrões (elevados) de beleza da minha família me fez amargar alguns momentos preciosos de vida.

E hoje, fazendo uma triagem fina das minhas fotos, vejo que esse amargor era totalmente sem motivos. Benza Deus, nunca fui uma guria feia. Também nunca passei de dez quilos a mais do ideal. Mas como eles me pesaram. Me faziam fugir de viver, de me mostrar, de me amar mais.

Passei por dietas doidas. E pela síndrome de ioiô. Foi quando arrumei a minha cabeça e assimilei que estar magra me dava mais prazer que comer muito. Ou comer o que me dava prazer. Enfim, foi quando cheguei ao difícil equilíbrio da relação custo beneficio de calorias ingeridas X me sentir bem, que consegui ajustar o peso. Agora desequilibrei essa relação porque comer está me dando mais prazer...mas essa é outra história, até porque ainda estou naquela relação dos dez a mais.

Passei pelos dez a menos também. Magérrima! Me diziam que estava feia com os ossos aparecendo. E eu me achando linda! Mas feliz? Nem tanto. Quando equilibrava o peso, começava a me cobrar por outras coisas. Era o gênio complicado, era a timidez excessiva, era o medo da vida. Era cobrança daqui, cobrança dali. Muita auto crítica para uma mulher só.

Cobrança pelo não fazer, cobrança pelo fazer. Pelo prazer, pelo ceder. Pelo não ceder. Cobrança é dar ouvido às vozes dos outros que moram em nós, ao invés da nossa voz. Ia ouvindo de meu pai a lição: não sinta culpa. Se não queria fazer, se fez errado, arrume. E siga em frente. E aí já vinha a cobrança de não pensar tão masculinamente e me deixar levar pela feminice de prestar tanta atenção no corpo, no efeito que passava aos outros, da visão dos outros em mim. Errado, mil vezes errado. E lá ia eu me cobrando de não pensar certo.

Tá, não era tão terrível assim. Nem sempre me desamei. Fiz muitas coisas boas e assumi. Mas a tal da auto crítica poderia ter sido bem menor. Teria sofrido menos. 

E agora, quando ela vem e lá vou eu me achando com rugas, com cabelos brancos, com bracinhos mais gordinho que gostaria, olho as fotos daí de cima e me lembro do como me achava inadequada em cada um desses momentos....

Então se pudesse dar um conselho à adolescente, à mulheres mais jovens, diria: Lixe-se a cobrança. Ninguém é tão você quanto você mesma. Valorize esse tesouro. Ele é único. E belo. 

PS:  Estava justamente escrevendo sobre a auto cobrança para me enquadrar em padrões estéticos e vendo esse vídeo que mostra os tipos físicos ideias de cada época fica mais fácil de ver que sim, acabamos nos policiando para nos aproximar desses ideias de beleza. E se não os perseguimos, somos cobradas de alguma forma. Desleixada é o mínimo que ouvia quando passei anos sem ir na manicure....imagine quando não depilava as pernas antes disso ser moderno. Ser gordinha nos anos 60 ou ter muito busto nos anos 70 também era motivo de angústia....os padrões elevados das épocas acabam nos pesando. Seja para alcançá-los seja para contrariá-los.