quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Trabalhando o erotismo em palavras

Às voltas com um ‪#‎desafio2015‬, uma oficina de versos em fogo, trabalhando o erotismo nas palavras e versos. Superar e ousar novos desafios faz parte da proposta de reiventar-me.

Sempre gostei de escrever, mas nunca segui uma lógica, nunca trabalhei as palavras. Elas saem de mim feito catarse. E na maioria das vezes as jogo ao vento sem revisar, sem aquele olhar que poda e transforma em algo mais lapidado. Acho que faço isso tanto na Arquitetura que quando escrevo é mais brincadeira, é mais como se colocasse uma música e saísse dançando sem me importar com coreografia. Aliás detesto coreografia. Prefiro que a música e a inspiração me levem.

Então, seguir algumas técnicas de criação são um primeiro desafio. Outro e talvez o mais desafiante de todos seja o passar pelo crivo de um grupo. Já escrevi poemas - alguns mais sensuais - quando apaixonada (quem nunca?). Mostrei para a pessoa inspiradora. Algumas vezes. Na maioria acho que escrevi para mim mesma. Sem me importar se era bom, se era ruim.

"Pouco importa a razão.
Pouco importa a solidão.
Pouco importa os motivos da separação.
A energia se impõe.
Emerge soberana e gaiata.
Exige satisfação.
Imediata.
Não quer saber de educação.
Não se importa com senões.
Não está nem aí para associações.
A energia quer ebulições.
Quer se transformar em vulcões,
Em muitas erupções.
Simultâneas. Enormes.
Majestosas.
A energia quer a gargalhada mais pura.
A mais obscena e sagra.
Aquela que se gera em dois corações
Duas concepções
Duas imensas atrações.
A energia quer fusões.
E que se fodam as limitações." (Elenara - anos 90)
 Mas agora, quando passei por momentos tão estressantes que me perdi de mim mesma, senti a necessidade de voltar a brincar. E nada mais brincante que o erotismo. Que enfrentar esse tabu de mostrar o desejo, seja meu, seja imaginado. 

Primeiro dia. Perfeito. Primeiro desafio saiu jorrando:

"Sou lua nua que arrebenta

instinto de mulher

que geme

Transpira.

Água que inunda

A represa que se rompe

Pernas, cheiros, gemidos

São estopins da revolução

que se insinua" (Elenara - 2015)
Gente, escrever um poema - ou uma proposta de poema, em meio à conversas e rodeada de pessoas até então desconhecidas, com tempo marcado, foi interessante. Mas como o processo seguiu o meu interno, foi como caminhar em trilhas conhecidas. Saiu fácil e inteiro. Não mexi, não podei. Me lancei.

Mas....no segundo desafio baseado em uma imagem, no lançamento de palavras e no uso dessas para escrever....brochei. Total e irrestritamente. Travei. E como toda boa brochura isso mexeu comigo. Me deu uma sensação de não vou conseguir, não é para mim, todos são melhores, embotei. Sensações também velhas conhecidas sempre que me sinto falhar em um projeto, em um ato. Me puno. Me fecho. Me julgo antes. Sou juíza, advogada de acusação e carcereira. 

Mas como toda boa análise pessoal, ela só funciona se é estopim da "revolução que se insinua". Se errar (ou achar que) me causa tanto mal interno, resta-me trabalhar com isso. E tentar de novo. E de novo.

E lá me vejo eu, olhando e percebendo imagens como fontes de inspiração. Escrevi um poeminha para Gengis Khan no almoço de ontem, escrevi outro para testes do Facebook. Respirei e me soltei. Resolvi brincar e me inundar de verdadeiro erotismo que é tátil, que é visual, que é absolutamente sensorial. 

Onde vai me levar não sei. Mas espero que seja absolutamente divertido.

Um comentário:

  1. Interessante conhecer o reverso das pessoas. Ainda mais o que tange o erotismo, a sensualidade e o orgasmo...

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