terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Escrever sobre sexo com elegância


Desde o ano passado venho martelando essa vontade de me aprofundar na obra de Anais Nin. A origem desse desejo vem de um almoço cultural que fui no ano passado - Alcovas femininas - literatura erótica.

Sempre que saio de um experiência sensorial dessas tenho uma imensa vontade de me aprofundar no assunto. E no caso da Anais Nin, de ler toda a sua obra. Não tenho essa disciplina que muitos tem de começar pelo principio e devorar um autor até sabê-lo com mais profundidade.

Mas comecei a ler os escritos "pornográficos" de Anais, obra escrita sob encomenda e que devia retratar a visão do contratante. Homem e ávido de descrições cruas. Coisa que Anais, por mais que tentasse, não consegue. Não, com a limpeza que se conhece como a visão masculina do erotismo. E uma dúvida me surgiu na época -  "até que ponto a escrita libertária delas vem de seus anseios de mulher ou da "mania" feminina de agradar os desejos masculinos. Um tema a estudar. Depois de ler seus livros." 

Hoje, lendo uma postagem sobre comportamentos femininos e masculinos da psicologa Luciana Kotaka,  Não há flerte que resista a crua realidade do imediatismo mais essa reflexão sobre as visões divergentes sobre os relacionamentos entre fêmeas e machos me vem à mente com uma imensa interrogação. Serão divergentes? Já conversei sobre isso com amigos e namorados, e muitos relataram que sim, procuram envolvimento, procuram troca, procuram entrega. E não me parece que esse desencontro seja um reflexo dos dias atuais. Já via esses debates desde muito. Pode que os comportamentos tenham mudado, que as mulheres tenham assumido uma postura mais libertária, algumas até exercem seu poder de escolha. Outras apenas seguem tendências. Tenho para mim que sexo é uma linda e intensa brincadeira entre adultos. 

Brincadeira porque livre. Sem liberdade não há prazer. Sinto muito, mas se eu pensar em uma forma de sexo pornográfico diria que é o que é feito por obrigação. O que é burocrático, o que segue regrinhas ao pé da letra, o que se fantasia de sacro ou profano, mas não é natural. Sexo é química. Não se explica. Se vive quando e como é bom.

Brincadeira de adultos porque ser adulto significa ser responsável pelas suas escolhas. E toda escolha tem suas consequências. Aqui nada de fogo do inferno, ou pecado, ou quebrar regras vai dar castigo. Não. Apenas saber se proteger. Das consequências físicas e das que batem no coração.

Se você procura um carinho e um companheirismo mais intenso, se poupe de quem não vai lhe trazer isso. Se quer se divertir, não fique fazendo expectativas de que vai passar além disso. Não seja uma mocinha do 50 tons de cinza, aceitando uns tabefes (sejam sutis ou descarados) porque acha que o rapaz vai se apaixonar. Pode que se apaixone. Pode que não. Pode que você se apaixone. Pode que não. 

Dá para falar de sexo com elegância? Anais Nin me prova que sim. Seus livros vão além da crueza da descrição. É literatura. É bom de ler. Bons livros tem essa capacidade de nos fisgarem, qualquer que seja o assunto que abordem. Pessoas incríveis também. 

Não, não tenho a fórmula de como ser uma mulher tão fascinante que aquele bofe vai ficar encantado e ligar não apenas no dia seguinte, mas em muitos outros. Já fascinei alguns homens. Já decepcionei outros. Sabe aquela música - "com alguns homens fui feliz, com outros fui mulher....". E com um as duas coisas.

Mas não digo que esse assunto, falar dele, ainda não seja tabu para mim. Por isso vou me proporcionar um desafio. Vou fazer uma oficina chamada Versos em Fogo - para aprender a fazer versos eróticos. Talvez depois dela eu possa responder - a mim e a vocês - se eu sou capaz de escrever sobre sexo com elegância.

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