quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Minhas tradições de Ano Novo

Na minha casa não lembro de grandes ceias de Ano Novo. Não tenho as recordações de infância como tenho as do Natal. Mas guardo algumas. Em especial uma que nunca podia faltar. A lentilha!

Simbolo de prosperidade, talvez porque os grãos lembrem nossa relação atávica com a agricultura e tudo o que nos possibilitou formar uma sociedade gregária, a separação das lentilhas se revestia de um ritual de solenidade. Era como se fosse uma depuração do que era ruim, que não prestava para a colheita e ia fora. Assim como fazemos com o que nos aconteceu, com as mágoas, os sentimentos menos gostosos e aproveitáveis. Feita a separação, alguns dos grãos bons eram separados para as pessoas queridas e meticulosamente embrulhados em papel alumínio. As trouxinhas eram dadas ( e aguardadas!) com carinho. Iam para as carteiras, para garantir que sempre estivessem cheias. Ainda hoje os encontro ao remexer nos fundos delas. E acho que funcionavam porque sempre aparecia alguma verba extra quando se precisava. Fosse em forma de novos trabalhos, fosse em forma de algum beneficio, enfim, o universo sempre conspirava a favor daquelas lentilhas separadas com amor no Ano Novo. 

Depois ia ao fogo, e o aroma se sentia ao longe....aroma de ano novo! Lentilha da Tia Helena (minha mãe) era famosa e saudada na família. Tinha realmente um tempero muito especial que guardo na memória. De uns anos para cá ela delegou essa preparação para outras pessoas a quem passou os segredos. Mas como a dela....sei não...

Eu não fui uma das sortudas. Nunca preparei a famosa lentilha de Ano Novo. No máximo tempero as feitas em casa. Mas no tempero me garanto. Acho.       
Não me lembro de porco na ceia. Apesar da lenda de nunca chafurdar na lama para trás, não comer "parentes" é tradição da minha mãe. Filha de pai médico e alemão, ele altamente "desrecomendava" a ingestão de suínos. Creio que por uma questão de saúde já que naquela época eles podiam transmitir doenças. Já li que mudou, mas sabe como é: tradição é tradição. A gente mantém porque já se acostumou, nem se importando muitas vezes com a origem delas. E particularmente essa coisa de viver na lama não me parece um bom presságio para um novo ano. Vai se saber....

Então opto por frutas. Uvas. Sempre que possível as tenho em casa na virada. E nem me preocupo em comer X grãos ou sei lá o que mais. Como um cacho ou o que tiver vontade. 

Um bom espumante também sempre fez parte da tradição. E que bom porque tomar espumante em taça e com uma cereja dentro fazia parte da tradição de muitas tardes quando morávamos em Brasília. Sempre achei isso muito elegante. Acho que vou retomar. Afinal um espumante ( e agente chamava de champanhe na época porque ainda não haviam as restrições de denominação) pode ser bebido a qualquer hora, em qualquer ocasião.   
Nunca pulei ondas na madrugada. Não que não tivesse oportunidade. Mas o mar em sua imensidão e escuridão me fascina. E me atemoriza. Nunca me arrisquei nem a molhar os pés. Talvez um dia. Mas não sei. Não é das experiências que me chamam a atenção. Não acho necessário.

Não gosto da espera do Ano Novo. Me irrita ter que esperar por qualquer coisa. Ficar olhando o relógio...sei lá. Algumas vezes já fui dormir para não ter que passar por isso. Mas sempre me levanto na virada. Gosto do simbolismo. Gosto de observar a alegria de tantos, os fogos, os gritos, as luzes. É como se realmente a página virasse e a gente pudesse recomeçar. Mais experiente mas ao mesmo tempo novamente inocente.

Então, Feliz Novos Tempos. E vivam as tradições que elas nos mantém ligados ao passado e aos que amamos. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Reciclando-me - palavra de 2015

Luz no fim do túnel 



"Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio ‘apesar de’ que nos empurra para a frente. Foi o ‘apesar de’ que me deu uma angústia que insatisfeita, foi a criadora de minha própria vida" (Uma Aprendizagem ou o livro dos prazeres)

Sempre há uma saída, uma porta inesperada que se abre quando menos esperamos, ou quando o nosso olhar se detém sobre novas possibilidades.

E meio sem querer, ou pelos sortilégios do destino que a teia da vida se encarrega de tecer, encontro minha palavra de 2015. Reciclando-me. 

Andei pensando e sentindo muito a necessidade de me reencontrar. Voltar a ter contato com a minha essência que ficou escondida debaixo da necessidade de outros. Enfim, épocas de esquecer de mim. Teve um preço alto. Tudo bem, faz parte da vida e do amor compartilhado. Mas agora urge um novo reencontro. Por isso saudei a mensagem do Tarot. 

RECICLANDO-SE

O 8 de Ouros emerge do Tarot como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Elenara, sugerindo ser este um momento mais do que adequado para que você identifique as partes da sua vida que porventura entraram em estagnação. É chegada a hora de romper com esta estagnação, descobrindo no mais profundo da própria alma uma série de recursos que lhe permitirão viver a vida com muito mais prazer. É provável que você, por puro hobby, comece uma nova atividade e que isso lhe disponha novamente a um desejo de viver com mais intensidade. Você também poderia pensar em conhecer novos lugares e se abrir à amizade com novas pessoas. Esta renovação, ainda que seja profissional ou estudantil, termina afetando positivamente outras áreas mais abstratas da sua vida, como a espiritual e principalmente a afetiva. 
Conselho: Invente, faça diferente!
Sim, sigo o Tarot de vez em quando. Afinal os meios do universo mandar sinais não importa. Importa como chegam no coração e mente da gente. Então, ano de reciclagem, de me instigar. Vamos à luta. Onde ainda não sei. O caminho se faz ao caminhar. Sempre. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sendo eu e acabando mais um ano


Eu não sou sempre feliz. 
Eu não sou sempre maravilhosamente bem resolvida. 
Eu não faço viagens maravilhosas e a minha vida não é perfeita. 
Eu gosto da minha vida. 
Eu tenho momentos incríveis. 
Eu amo pessoas maravilhosas. 
Nem sempre sou reconhecida nas coisas que faço com muito esmero. 
As vezes acerto. As vezes erro. 
As vezes me sinto com 30 anos, outros com 100. 
Noves fora, me gosto. 
Ainda estou em busca das minhas verdades. 
Esta busca me fascina. O dia que desistir dela, me acabo. 
Não esperem de mim perfeição. Não gosto de gente perfeita. 
Gosto de gente que erra, gosto de gente que se ferra. 
Gosto de gente que se joga. 
Gosto de gente que se rebela. 
E se revela. 

Mais um ano que se vai. Ano marcante. Ano que não queria ter vivido. Ano que não vai ser esquecido. 
Enfim, cada vez mais eu e menos outra.
Também não sei se é bom ou ruim. Só sei que é verdadeiro. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Aprendizado - momentos que valem a pena guardar

Lembram daquela postagem que viralizou no começo de 2014 sugerindo que a gente pegasse uma lata/pote/cofre e guardasse frases sobre momentos significativos do ano? 

Como muitos de vocês comecei a fazer. Como a maioria também não fui adiante. Tudo bem, meu ano não foi particularmente feliz, mas entre os momentos significativos que guardei, mal sabia que estava vivendo o que seria o dia mais feliz de muitos e que guardarei sempre no meu coração. 

Interessante observar que muitos momentos que guardei são singelos. 

Ler um bom livro. 
Uma boa fruta que me fez sentir no paraíso. 
Conhecer ao vivo um amigo virtual. 
Acordar feliz. 
Ter coragem para falar algo para uma pessoa amada. 

Mais interessante é ver que muitas vezes não valorizo esses momentos. Eles passam desapercebidos.  Mesmo os que vão se tornar tão significativos meses depois. 
Trazer meu pai para casa realmente não tinha preco. Foi a última vez que fiz isso. 
Aprendi muito com essa brincadeira. 
A vida se faz de momentos. Valorizá-los depende da nossa sabedoria. 

Hora de ser artista

Tem vezes na vida que só sendo artista para levar adiante sem desmoronar.

Fim de ano tem essa característica para mim. Longe está o tempo em que eu curtia Natal. Essas coisas de árvores, enfeites, presentes. Gostava de fazer tudo direitinho, pensar na pessoa, bolar presentes criativos ou que pelo menos tivessem a ver com a pessoa. Até pode ser que eu não acertasse 100% dos casos. Mas a preparação, o cartão, o envolvimento me faziam feliz.

Fui deixando de lado. Natal, em algum momento, deixou de ser alegria para ser tensão. Crucial descobrir como é esse processo. Afinal, é quando a gente descurte algo que vem o cansaço e por fim a indiferença. E o oposto do prazer não é nada mais nada menos que a brochura. 

Por isso há que ser artista nessas horas. Não para representar uma cara de felicidade que inexiste. Não este tipo de atuação. Artista para se reinventar. Para descobrir onde a alegria. Onde o tesão. Onde a chama.

Já desencanei dessa coisa de estresse de fim de ano. Sei que o mundo não vai acabar, que em janeiro tenho um ano inteiro de novas possibilidades e que não, não preciso presentear ninguém que eu não queira. Ou mesmo que queira, não tenha vontade porque não é hora. Então meu estresse não é nem por aí. É mais uma espécie de catarse coletiva de sentir essa agitação na sociedade e me sentir tão fora disso.

Alheação. Apatia. Isso me abate um pouco. Ainda não consigo definir se estou exatamente sendo saudável em processo de luto e deixando-me vagar em um mar de solidão. Ou se estou sendo patológica elevando a enésima potência o meu próprio umbigo sem lutar para me reenquadrar. 

Terapia? Já fiz tanto. Tenho um razoável auto conhecimento. Não quero falar de mim para alguém que não ame. E não quero me entupir de drogas que me façam rir de algo que eu nem sei se tem graça. 

Acho que só quero ficar comigo. Então Santa Claus, Noel ou Nicolau, ou seja lá que nome você tenha: quero um presente que me surpreenda. Quero algo instigante que me faça suar, tremer, sair de dentro. Se vira, que já dei dica demais. Seja artista também. E mágico que é o seu papel nessa história toda.   

sábado, 13 de dezembro de 2014

Mulher bem resolvida - que diabos é isso?

Existe alguém bem resolvido? Seja homem ou seja mulher? Sem dúvida deve existir, até porque os critérios da "Bem Resolvimento" são muito pessoais. E datados. O que hoje é considerado assim, pode não ser amanhã. Sabe-se lá, o mundo é cíclico e as verdades ondulam de acordo com as conveniências. Sociais e/ou pessoais.

Então porque a pergunta? Porque parece que o mundo moderno exige que todos sejamos uma imagem perfeita da divindade. Em todos os sentidos. E a palavra mágica para definir isso é: sou bem resolvido/a.

Serve para tudo: fui chutada por alguém/algo? Sou bem resolvida e me viro. Dei um fora e magoei alguém? Sou bem resolvida e passo por cima. E por aí vai.

Como todo mundo tenho meus critérios pessoais. Bem resolvida é estar em harmonia entre desejo e ação. Parece simples assim escrito. Não é não! Tem desejo que é safado, a gente tenta administrar, ele escapa de jeito e fica ali, feito gatinho exigente. Ao menor descuido levanta e mia alto. Daí a gente, após muita luta, resolva admitir: sinto. Sinto e daí? (aliás este é um critério bom de resolução - a admissão.). Mas entre admitir e agir, vão outros quinhentos. Euros. Porque ação é sempre dimensionada em moeda forte. Pode ser em Pilas também (gaúchos entenderão).  

Tem ação prá fora. E ação prá dentro. Experiência e IMperiência. Agir quando a gente está preparada para enfrentar as consequências é coisa de gente bem resolvida. Agir prá dentro ou não agir quando não, também.

Se conhecer é coisa de gente bem resolvida. E se amar apesar de se conhecer. Compreender nossos defeitos, aceitar nossas falhas. Não com a mão de quem passa por cima, mas com o olhar de quem não se culpa.

Ser bem resolvida é saber que cada um tem o poder da escolha. SUA escolha. Não do outro/a. Não da sociedade. Não da Igreja, ideologia, guru de plantão. NOSSA escolha. 

Ser bem resolvido é saber que não se pode tudo. Não se deve tudo. Não se precisa tudo. 

Mulher bem resolvida é ela mesma a maior parte do tempo. As mega bem resolvidas são 100% elas mesmas sempre. Mas se não for tanto, não tem problema, as vezes a gente é bem resolvida em algo, e não em tudo. Faz parte.

Tem receita para esse bem resolvimento? Auto conhecimento. E ele vem da experiência.

Quer um termômetro? Olhe as pessoas generosas que você conhece. Generosas com a vida, com elas, com o meio ambiente, com o mundo. Garanto que a maioria é bem resolvida.  

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Apaixonados são poetas -



Aos quarenta era uma apaixonada que fazia poesias. E pensando bem, acho que quase todo apaixonado/a no fundo é um poeta. Bons ou maus, não importa. O que vale é sentir as dores/amores da paixão que se faz premente e urgente.

POA, 01 de junho de 2000-06-01. Manhã fria, após uma prova de Tópicos especiais de Filosofia da Educação.

Pouco importa a razão.
Pouco importa a solidão.
Pouco importa os motivos da separação.
A energia se impõe.
Emerge soberana e gaiata.
Exige satisfação.
Imediata.
Não quer saber de educação.
Não se importa com senões.
Não está nem aí para associações.
A energia quer ebulições.
Quer se transformar em vulcões,
Em muitas erupções.
Simultâneas. Enormes.
Majestosas.
A energia quer a gargalhada mais pura.
A mais obscena e sagra.
Aquela que se gera em dois corações
Duas concepções
Duas imensas atrações.
A energia quer fusões.
E que se fodam as limitações.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Trabalhar o silêncio

De uma segunda feira de muitos anos atrás 

Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2000

Hoje é uma segunda feira meia diferente. Não sei explicar porquê. 

Não que me sinta mal, pelo contrário, me sinto inteira e calma. Mas...
Tenho dentro de mim uma inquietação, como se o fato de trabalhar o silêncio me trouxesse uma maior consciência das faltas que sente o meu coração. 

Acabei de ler um livro que fala sobre as sete leis universais do sucesso. A primeira delas é a da potencialidade que pede que trabalhemos com o silêncio interno. E é interessante porque sem os ruídos que vem de fora, e que acabam afetando a sanidade sem que percebamos direito, a cabeça torna-se mais clara e mais ágil. E é mais difícil se arrumar desculpas para as feridas porque elas teimam em aparecer . Mas aparecem também de uma forma verdadeira, porque trazem junto de si a necessidade de remédios urgentes e próprios. Parece que o corpo, sendo sábio, se não for atrapalhado acaba encontrando as suas próprias soluções, ou pelo menos apontando os caminhos.

Outra lei fala da necessidade de se encontrar a nossa fonte de riqueza interior, aquilo que nós fazemos melhor do que ninguém e que é o como podemos auxiliar o mundo. Normalmente é aquilo que fazemos tão bem, de maneira tão prazerosa e dedicada, que se torna quase uma arte. Tenho a sensação de que passei tanto tempo tentando ser alguém de os outros gostassem, que acabei me afastando de minha própria riqueza interna, que agora urge por sair. Acho que ela se manifesta pela escrita, porque escrever me dá um prazer imenso. Mas uma escrita que fale de emoção e verdade. Faz tempo que deixei de treinar o saudável hábito de ler com entrega e escrever sem pudor. Toda arte é uma exercício que deve ser renovado diariamente.

Creio que o caminho se torna mais límpido e a estrada parece de novo transitável. Um sol enorme e muito luminoso se encontra adiante e a música de minha alma começa a se preparar para tocar. A orquestra afina os seus instrumentos e me mostra que a prosperidade se encontra dentro de mim, assim como se encontra dentro de cada um de nós. Basta que a deixemos vir a tona. 

Essa segunda de outrora me aponta que realmente a vida é cíclica e que os ensinamentos se encontram nas trilhas que percorremos. Cá me encontro eu, tendo as mesmas inquietações e encontrando as mesmas respostas que teimam em gritar. Talvez por serem verdades minhas. E verdade da gente nos persegue. Por isso as vezes nos assusta. Por isso sempre nos apaixona. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Felicidade

sábado, 6 de dezembro de 2014

Da ausência

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Socorro! Meu armário encolheu!


E o pior .... Com ele encolheram todas as roupas charmosas que estavam lá dentro! Que grande sacanagem! 

Brincadeira...o corpo da mulher reage de maneira elástica à menopausa. Para isso deve contribuir a mudança de metabolismo. E uma realidade: os prazeres da mesa se tornam mais prementes.
Talvez a relação custo benefício de fechar a boca, tão valiosa em outras eras já não o seja agora, sei lá. E isso me leva a analisar a razão. Vejam a moda e como ela se comporta em tempos de estresse externo. Vejam a França pós revolução francesa: as mulheres andavam em trajes diáfanos, praticamente desnudas em comparação com as roupas imensas de Maria Antonieta. Isso não é apenas uma retração do esbanjamento, mas uma intensa revolução dos costumes na época. Quem tinha a possibilidade concreta de ter sua garganta guilhotinada amanhã, não ia lá se preocupar com moralidades externas ou deixar os prazeres de hoje ao sabor dos acontecimentos. Não! Urgências na vida nos fazem ficar mais hedonistas. E mais puristas. E muito mais imediatistas.

Crises externas ou internas nos afastam das mesquinharias. Vá lá conviver por tempos em uma sala de espera de UTI hospitalar para ver se as suas prioridades de vida não mudam....

Toda essa explanação é para justificar o susto acima. Meu manequim tem aumentado inexoravelmente. Nada dramático, minhas oscilações de peso são na ordem de um máximo de oito quilos. Para baixo em épocas magras. Para cima em épocas gulosas. Estou nessa última. Faz tempo demais para o meu gosto. E para o meu bolso.

Todo o meu armário está um ou dois manequins abaixo do meu atual. E eu me recuso a fazer um novo. Esse desapego não está nos meus planos. E há uma briga interna dentro de mim. Um lado racional monetário que me aponta caminhos lógicos: dieta em uma nutri que me aponte caminhos e opções saudáveis, caminhadas e exercícios. Em suma, volta aos tofus e carninhas magras que já foram habitués do meu cardápio. Já percorri esse caminho. Mas....

Hoje estou em uma etapa diferente. Não quero abrir mão de comer coisas boas. Me tornei uma pessoa mais atenta aos prazeres da gula. Risotos, queijos divinos e amarelos, vinhos e espumantes, um sorvete no verão...tudo isso me dá muito prazer. Talvez mais que o me ver magra. Ou mais magra. Ou mais ajustada aos padrões super exigentes de nossa sociedade que cobra uma falsa juventude de todos nós.

Sei não...acho que vou ter que administrar essa encolhida do armário. Ahhh, se não fosse o orçamento, era capaz de comprar um armário maior....      

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Minha culpa, minha máxima culpa


Culpa! Eta sentimento mesquinho e irritante que me pega de cheio. 

Confesso. Não sei lidar com elegância com ele. Quando menos espero ele apaga minha luz, empana o meu brilho, me faz diminuir de tamanho e me sentir um inseto.

Tudo bem, já li dezenas de livros, inclusive os de auto ajuda. Já fiz terapia. Me conheço. Mas entre a teoria e a prática, a culpa me vence. De goleada.

Talvez ajude conversar a respeito. Deixar que a conversa de dentro se torne leitura de fora. 

Tentar enxergar com olhos de outra pessoa e me dar os conselhos de praxe: se tu não teve intenção, não tem porque ter culpa. 

Sim, sim, eu faço isso. Mas e a sensação de ser inseto? O que faço com ela? E a minha luz, quem acende de novo, em pouco tempo? 

Talvez se eu tomasse um santo Rivotril ou similar, a culpa me deixasse de lado. Mas a causa que a gerou, e essa eu conheço bem, continuaria ali. Tenho culpa quando digo não. Tenho não. Sinto culpa.
Sinto culpa quando me imponho. Sinto culpa quando imagino magoar alguém. 

Deve ser meu lado Madre Teresa de Calcutá. 

Maldita culpa. Santa mente. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Saudades

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Capacidade de enfrentar algo nos momentos difíceis - Domino

Alguém já me disse que a gente conhece a própria força quando é defrontado com os momentos difíceis da vida.  Mais ainda quando esses momentos se sucedem em um ritmo maior que a nossa capacidade de renovação. 

Eu sempre soube que tinha essa capacidade de enfrentar algo nos momentos difíceis, de urgência, de extrema necessidade. A primeira vez que senti isso foi quando era muito pequena. Era um novembro frio, desses do Rio Grande do Sul. Toda a família na praia, comemorando o aniversário de casamento de meus pais. Uma areia fina na praia, todos se foram para casa, preparar o almoço. Fiquei eu, meu pai, meu tio. Eles apostaram corrida, corpo aquecido entraram no mar gelado. Meu tio saiu logo. Meu pai não. Não me lembro bem do mar, mas me lembro dele deitado na areia. Depois levantando e indo para casa. Me pediu que o guiasse. Falava com voz arrastada, seus pés sangravam do arrastar nos paralelepípedos. E eu o guiava, aquele homem de 40 anos, eu com quatro ou cinco, pela mão. Soube depois que tinha tido um choque. Segundo o médico, sua sorte foi não ter ficado deitado na praia. Segundo meu pai, ele não ficou ali, apesar da imensa necessidade para não me assustar. Sorte? Providência divina? Aprendi que sempre existe uma força a mais nessas horas.

Pela vida afora eu sempre me dei conta que na minha fragilidade tenho uma qualidade boa. Sou uma pessoa que sabe manter a calma em uma hora de perigo. Seja para desligar o gás se o fogão pega fogo, seja para chamar a ambulância e fazer todos os trâmites se uma pessoa querida passa mal, seja para ter a calma de fazer planos se me acho mal de saúde. Nessas horas não choro, não perco o raciocínio, não fujo. 

Sim, fugiria se tivesse alguém em quem colocar a ação. Sim, desmoronaria se tivesse alguém que fizesse por mim. Minha resiliência vem da necessidade. Custa energia. Uma puta energia que cobra a conta depois. Mas na hora agá, na hora da precisão, se me chamarem, estou aqui.

E sim, a boa madeira vai se mostrando com a força do vento. A gente vai aprendendo a conhecer a própria força. A mesma força que me falta - ou não uso - para a vida cotidiana. Não sou a empreendedora que enfrenta moinhos, não sou a pessoa destemida que fala com estranhos. Tenho medo das pessoas no dia a dia. Mas se a vida me coloca a prova de maneira peculiar, não fujo à luta.

Receita? Acho que aprendi com o exemplo de casa - melhor lição que existe. Meus pais sempre foram assim. Do jeito deles. Um mais otimista, outra mais pessimista. Mas guerreiros. O que um não podia enfrentar, o outro assumia. E sempre sem dramas. 

Quando minha avó teve câncer e era incurável na época, minha mãe, sua nora (mas filha de coração) enfrentou a notícia que o médico achou que meu pai não aguentaria. Quando a primeira filha de meu irmão morreu, com uma semana de vida, meu pai estava junto em algo que a minha mãe não aguentaria. Ele chorou junto, mas nunca desmoronou. 

E acho que a resiliência é isso: enfrentar sem desmoronar. Pelo menos na hora. Pensando bem, depois também não, porque se a gente aguentou na hora da tempestade, não é na praia que vai morrer, não é verdade?